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Turquia descarta pedir ajuda ao FMI para enfrentar crise monetária

16/08/2018 14h10

Istambul, 16 Ago 2018 (AFP) - O ministro turco das Finanças, Berat Albayrak, descartou nesta quinta-feira ante os investidores internacionais que seu país vá pedir ajuda ao Fundo Monetário Internacional (FMI) para superar a crise monetária que atravessa.

Albayrak, que também é genro do presidente Recep Tayyip Erdogan, discursou para milhares de investiudores originários de Estados Unidos, Europa e Ásia, durante uma teleconferência considerada uma prova de credibilidade.

"Sairemos ainda mais fortes dessas turbulências", declarou o ministro, segundo a televisão estatal TRT.

Ele acrescentou que seu país não prevê recorrer ao FMI e que seu governo trabalhará para atrair investimentos estrangeiros diretos.

A lira turca, que despencou na semana passada em um contexto de crise diplomática com os Estados Unidos, melhorou após suas declarações.

Às 14H10 GMT (11H10 horário de Brasília) a moeda se valorizava 3,9% em relação à sessão da véspera, a 5,72 liras por dólar, embora ainda esteja longe de valores prévios às grandes perdas dos últimos dias.

A lira parece ter-se estabilizado desde terça-feira em consequência das medidas tomadas pelo Banco Central e de novas barreiras erigidas pelo regulador turco dos bancos para limitar a especulação com a divisa turca.

Esta, que perdeu em 40% seu valor este ano, sofreu na semana passada uma queda, gerando preocupações nas Bolsas mundiais por temor um efeito contágio.

- Risco de contração -A queda da moeda foi acelerada por culpa do aumento das tensões entre Turquia e Estados Unidos, que aplicaram sanções recíprocas e aumentaram suas tarifas alfandegárias para determinados produtos.

Nesta quinta-feira, o secretário do Tesouro americano, Steven Mnuchin, advertiu que os Estados Unidos poderão aplicar novas sanções contra a Turquia caso pastor americano Andrew Brunson não seja libertado rapidamente.

Apesar da recuperação da lira desde terça-feira, os economistas continuam preocupados pela disputa entre Ancara e Washington, relacionada entre outras coisas com a detenção de um pastor americana na Turquia, e pelo controle exercido por Erdogan sobre a economia.

Os mercados castigaram duramente a decisão do Banco Central de manter suas baixas taxas de interesse no mês passado, apesar da queda da lira e de uma inflação galopante. Erdogan, fervoroso defensor de um crescimento a qualquer preço, se opõe firmemente a uma mudança de política monetária.

Albayrak prometeu nesta quinta-feira que seu governo terá duas prioridades: combater a inflação, que chegou a cerca de 16% interanual em julho, e a disciplina orçamentária.

Neste período de más notícias econômicas, a Turquia recebeu na quarta-feira uma ajudad de peso. O emir do Catar, o xeque Tamim bin Hamad al Thani prometeu durante um encontro com Erdogan na capital que seu país invertirá 15 bilhões de dólares na Turquia.

Em um sinal de que a crise com Washington incita o governo turco a restabelecer seus vínculos com a Europa, Erdogan conversou por telefone na quarta-feira com a chanceler alemã, Angela Merkel, e com seu homólogo francês, Emmanuel Macron, na quinta-feira.

Albayrak conversou por sua vez com o ministro alemão das Finanças, Olaf Scholz, e ambos concordaram em se reunir em 21 de setembro em Berlim, segundo o governo turco.

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