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EUA e China querem atenuar disputa comercial apesar das novas tarifas

23/08/2018 20h30

Washington, 23 Ago 2018 (AFP) - Milhares de produtos americanos e chineses ficaram mais caros pelas tarifas de 25% desde a meia-noite desta quinta-feira (23), mas as duas potências continuam discutindo na quinta-feira em Washington como conter sua guerra comercial.

Como parte da agressiva postura protecionista do presidente Donald Trump, Washington começou a aplicar tarifas sobre produtos chineses por 16 bilhões de dólares o que gerou a imediata represália de Pequim com uma medida idêntica.

Somados aos 34 bilhões de dólares em produtos taxados em julho, a aplicação recíproca de tarifas chega a bens por 100 bilhões de dólares. Além disso, os Estados Unidos atualmente consideram taxar outros produtos chineses por 200 bilhões de dólares, o que, segundo Trump, poderia ocorrer em breve.

"Colocamos ali uma quantia de 50 bilhões de dólares. Agora a quantidade total é de 250 bilhões", disse na Casa Branca. "E há uma taxa de 25% que está pronta... Algumas delas começarão em uma semana", acrescentou.

Washington pesquisará opiniões de empresas sobre esses 200 bilhões de dólares até 6 de setembro, mas a aplicação dessas tarifas poderá ocorrer depois.

Trump insiste em que sua dura tática beneficiará os Estados Unidos, mas as empresas, e inclusive o Federal Reserve, advertiram que essa política comercial já está prejudicando a economia.

Apesar das novas tarifas, negociadores de China e Estados Unidos discutiram o tema pelo segundo dia consecutivo. A delegação chinesa se retirou à tarde sem fazer comentários.

Enquanto isso, delegados americanos discutiram com enviados do México a modernização Nafta. A negociação continuará na semana que vem.

- Sinais de progresso? -O subsecretário do Tesouro, David Malpass, liderou dois dias de negociações abertas na quarta-feira pelo vice-ministro do Comércio da China, Wang Shouwen, e o vice-ministro das Finanças, Liao Min.

Os Estados Unidos não revelaram detalhes sobre o avanço das tratativas.

"Esperamos que os Estados Unidos possam fazer esforços concertados com a China e mantenha uma atitude sincera para obter bons resultados", disse um porta-voz da chancelaria chinesa.

Enquanto as negociações, que são as primeiras desde junho, animaram Wall Street e geraram otimismo sobre uma atenuação da guerra comercial, analistas advertiram que os resultados reais serão alcançados quando funcionários de alto escalão se envolverem.

"O fato enviarem gente de menor nível hierárquico, significa que não estão falando de grandes coisas", disse à rede CNBC o ex-secretário de Comércio Carlos Gutiérrez .

O próprio Trump disse no começo da semana que não espera grande cosa do contato com os chineses.

As empresas americanas estão preocupadas com a guerra tarifária, que encarece seus custos e prejudica fazendeiros e consumidores.

O própria Federal Reserve afirmou que as disputas comerciais internacionais podem gerar riscos econômicos, crescimento da inflação e suspensão de investimentos.

O ministério do Comércio da China disse que "se opõe firmemente às tarifas e que não tem outra opção a não ser continuar com os contra-ataques necessários".

O secretário de Comércio dos Estados Unidos, Wilbur Ross, afirmou que a China não pode continuar aplicando tarifas no mesmo ritmo dos Estados Unidos. "Nós temos mais balas que eles para isso", disse.

No entanto, a China pode atacar empresas americanas com inspeções ou boicotes, como já fez antes com a Coreia do Sul e o Japão.

- Nafta -Paralelamente, as negociações dos Estados Unidos para modernizar o tratado norte-americano de livre-comércio Nafta parecem caminhar melhor. Negociadores de Estados Unidos e México dizem estar perto de um princípio de acordo. Depois disso, o Canadá, terceiro membro do bloco vigente desde 1994, deverá se juntar.

A Casa Branca acreditava que concluiria nesta quinta-feira o acordo com o México, mas as negociações continuarão na semana que vem.

"Estamos muito avançados, mas ainda não chegamos lá", disse Guajardo, o ministro da Economia do México a jornalistas.

"Precisamos que o Canadá volte a participar das negociações e a única forma disso acontecer e continuando durante o final de semana e a semana que vem", afirmou.

Nas últimas semanas, Guajardo destacou alguns avanços, mas também disse que os assuntos mais difíceis de aceitar por México e Canadá, como a reivindicação dos Estados Unidos de revisar o Nafta cada cinco anos, continuam sobre a mesa.

"Não houve sinais de flexibilidade por parte dos Estados Unidos nesse tema", disse mais cedo à AFP um alto funcionário canadense.