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'Google da dark web' permite navegar no lado sombrio da internet

27/12/2018 17h17

Lyon, 27 dez 2018 (AFP) - Um "Google da dark web" para pesquisar nas entranhas obscuras da internet, onde armas, drogas ou senhas de cartão de crédito podem ser compradas. Esta é a ferramenta que uma start-up francesa desenvolveu - e que não pode cair nas mãos erradas.

"Fizemos um inventário de quase toda a 'dark web'", afirma Céline Haéri, cofundadora da Aleph Networks, em uma entrevista à AFP na sede da companhia, perto de Lyon, no coração da região vinícola francesa de Beaujolais.

A Aleph rejeitou entre 30% e 40% das solicitações de licença, baseando-se nas recomendações de um comitê de ética e dos conselhos de seus clientes governamentais.

Uma ferramenta como esta não pode cair em mãos erradas. Além disso, nos regimes totalitários a resistência se organiza com frequência na "dark web", aponta seu marido e diretor-geral de Aleph, Nicolas Hernández.

A maioria dos usuários da internet nunca se aventuram além dos limites dos sites que podem ser encontrados facilmente e que são acessados por meio da navegação casual pela web.

Mas as pessoas que buscam o anonimato podem acessar este universo obscuro através de programas facilmente disponíveis como The Onion Router (TOR) ou I2P.

Mas uma vez lá, não se pode ir além se não se tem o endereço exato da página que se busca, ou seja, uma sequência aleatória e longa de números e letras que acaba em ".onion" ou ".i2p".

Como o Google, a Aleph é um motor de busca que indexa sites em 70 línguas diferentes. Em cinco anos, a start-up identificou 450 milhões de documentos em 140.000 sites.

Quando Céline Haeri utiliza seu software para buscar "Glock" e "bitcoin" aparecem instantaneamente vários sites onde se vende esta pistola alemã na moeda virtual, que em teoria é impossível de rastrear.

Uma busca por Césio-137, um elemento radioativo que pode ser utilizado para criar uma bomba nuclear, revela 87 sites na 'dark web' onde este pode ser comprado, enquanto outra página explica como fazer explosivos ou uma bazuca caseira.

"Alguns inclusive têm um sistema de estrelas em função da satisfação do cliente", diz Hernández.

- Militares e governos -"Sem um motor de busca, não se pode ter uma visão completa" de todos os sites ocultos, afirma Hernández.

Ele e um amigo de infância criaram esta empresa. Inicialmente arrecadaram 200.000 euros (228.000 dólares), mas estiveram a ponto de fechar várias vezes, até que encontraram um cliente entusiasta: os militares.

"A direção geral de aquisição de armas e tecnologia do exército francês nos encontrou. Dois dias depois do ataque contra Charlie Hebdo nos pediram uma demonstração", conta Haéri, em referência ao massacre de 12 pessoas em 2015 no escritório da revista satírica em Paris.

"O exército é particularmente sensível ao discurso segundo o qual, se não se conhece um território, como é o caso da 'dark web', este não pode ser dominado", acrescenta Haéri.

- Riscos éticos - Aleph planeja adicionar em breve capacidades de inteligência artificial a seu software, que reconheceria imagens como fuzis Kalashnikov ou vítimas de abuso infantil, ou alertaria as empresas sobre possíveis infrações de direitos autorais.

Espera-se que seus rendimentos se situem em torno de 660.000 euros este ano, cifra que espera dobrar em 2019.

Isto atraiu a atenção dos investidores, à medida que a Aleph intensifica seus esforços para acrescentar mais clientes do setor privado à sua lista de clientes governamentais.

Mas quanto mais pessoas e empresas começam a utilizar o motor de busca da Aleph, maior é o risco de que as organizações criminosas ou os governos hostis finalmente obtenham acesso.

Hernández disse que o desafio será crescer enquanto se estabelecem pautas claras para manejar as espinhosas questões éticas, mas insistiu em que permanecerá vigilante.

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