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Shutdown afeta funcionários e pressiona políticos nos EUA

17/01/2019 11h33

Washington, 17 Jan 2019 (AFP) - O fechamento de alguns organismos federais dos Estados Unidos começa a afetar seriamente a situação econômica de muitos funcionários e aumenta a pressão sobre os políticos para encontrarem uma solução ao "shutdown" mais longo da história do país.

A presidente da Câmara de Representantes, a democrata Nancy Pelosi, pediu ontem (16) ao presidente Donald Trump, que adie o discurso sobre o Estado da União, previsto para 29 de janeiro, por causa da paralisação parcial do governo.

"Infelizmente, levando-se em conta os problemas de segurança e, a menos que os serviços do Estado reabram esta semana, sugiro que trabalhemos juntos para encontrar outra data (...), ou que considere dar seu discurso sobre o Estado da União por escrito ao Congresso", disse Pelosi, em uma carta ao presidente.

Trump exige 5,7 bilhões de dólares para financiar um muro na fronteira dos Estados Unidos com o México para frear a imigração ilegal, um projeto rejeitado pelos democratas. Hoje, a oposição controla a Câmara, enquanto os republicanos mantêm maioria no Senado.

Na quarta-feira, o presidente voltou a atacar seus adversários.

"É cada vez mais óbvio que os radicais democratas são um partido de fronteiras abertas e crime. Não querem ter nada a ver com a grande crise humanitária na nossa fronteira sul", tuitou Trump.

Pelosi e Trump travam uma queda de braço orçamentária que se arrasta por mais de três semanas e levou cerca de 800.000 funcionários federais a tirarem uma licença não remunerada, ou a trabalharem sem receber, caso dos setores considerados essenciais.

Entre estes últimos, estão os agentes do "Serviço Secreto", órgão encarregado da segurança de personalidades, como o presidente, e de eventos, como o discurso sobre o Estado da União, lembrou Pelosi na carta a Trump.

A secretária de Segurança Interna, Kirstjen Nielsen, garantiu que seu departamento e o Serviço Secreto estão "completamente preparados para apoiar e garantir a segurança" do discurso presidencial.

- Facilidades de pagamento -Para tentar amenizar o impacto do shutdown na vida dos funcionários federais, iniciativas solidárias se multiplicam pelo país.

O chef espanhol José Andrés, um aberto crítico de Trump, abriu ontem uma "cozinha" na Pennsylvania Avenue, entre o Capitólio e a Casa Branca, para alimentar "todos os funcionários e suas famílias que precisarem". O gesto faz parte do "ChefsforFeds", uma iniciativa que vai durar até o fim da paralisia.

Depois que alguns funcionários pararam de receber seus salários na sexta-feira passada, na terça (15) foi a vez dos membros da Guarda Costeira.

"É a primeira vez na história da nossa nação que membros ativos das Forças Armadas americanas não recebem", tuitou o chefe da Guarda Costeira, almirante Karl Schultz.

Em entrevista à rádio pública NPR, o chefe do Fundo de Ajuda Mútua da Guarda Costeira, o almirante reformado Carl Thomas, garantiu que grande parte dos 42.000 soldados empregados pelo Departamento de Segurança Nacional vive abaixo do nível da pobreza.

A situação também se agrava para os trabalhadores de empresas terceirizadas pelo governo. Ao contrário dos funcionários, eles não receberão qualquer compensação pela perda de seus salários.

Nesse caos, restaurantes de todo país oferecem preços reduzidos, e os grandes bancos passaram a ofertar facilidades de pagamento na forma de empréstimos sem juros, ou crédito facilitado para consumo com taxas de juros muito baixas. Provedores de Internet e companhias de telefonia celular já anunciaram facilidades de pagamento para seus clientes afetados pelo shutdown.

O "shutdown" também teve consequências inesperadas. Na terça-feira, uma cervejaria de Washington entrou com uma ação contra o secretário de Justiça interino, Matthew Whitaker, alegando que não pode vender seus produtos por causa do fechamento do órgão federal que regula cigarro e álcool no país.

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