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Patinetes na América Latina: acidentes e lentas regulações

05/07/2019 10h35

México, 5 Jul 2019 (AFP) - Embora tenham chegado como uma promessa de mobilidade para as congestionadas e poluídas capitais latino-americanas, os patinetes elétricos enfrentaram um caminho de acidentes, lentas regulações e a oposição de alguns moradores.

De repente, milhares desses equipamentos apareceram na América Latina no ano passado, enviados por plataformas de "micromobilidade", como as startups americanas Bird, Lime e Scoot, a mexicana Grin, ou a brasileira Yellow.

Por cerca de meio dólar, mais 10 centavos por minuto, qualquer pessoa com um smartphone e um cartão de débito pode subir e deixar para trás o congestionamento de algumas das cidades mais engarrafadas do mundo.

Outra grande vantagem, segundo seus defensores: os patinetes oferecem uma opção de transporte limpo em lugares que sofrem altos níveis de poluição.

Seus críticos alegam, porém, que apenas pioram o caos nas ruas.

Na Cidade do México, com mais de 20 milhões de habitantes e quase cinco milhões de automóveis, um homem sobreviveu em março à colisão com um carro, quando conduzia um patinete no sentido contrário. Outro acidente parecido aconteceu de madrugada e matou um homem na turística Zona Rosa.

Em Lima, uma mulher teve fraturas, após ser atropelada por um desses veículos na calçada em abril. Em São Paulo, de janeiro a maio, chega a 125 o número de atropelamentos.

Os problemas para estes veículos, que podem alcançar até 40 km/h, estão apenas começando.

Assim como na Europa e nos Estados Unidos, onde viraram moda primeiro, na Cidade do México, em Lima, Bogotá e São Paulo, há muitas reclamações, porque os patinetes circulam pelas calçadas e são largados em qualquer lugar, sem qualquer controle, bloqueando a passagem de pedestres e de outros veículos.

Alguns dos protestos foram aumentando. Na Cidade do México, por exemplo, moradores riscaram o código que permite aos usuários desbloquear os patinetes e imobilizaram outros com adesivos com a frase "agente agressor". Em Lima, uma pessoa jogou encosta abaixo um patinete que bloqueava o caminho.

"Parte do problema desta cidade é que ninguém respeita nada", diz Óscar Barrio, morador da Cidade do México, de 44 anos, pouco depois de deixar seu patinete "bem estacionado" na calçada no bairro da Roma.

- Oportunidade de expansão -As empresas de patinetes viram na América Latina uma oportunidade de expansão. A Lime anunciou que, no início de julho, vai começar a operar em São Paulo e no Rio de Janeiro, assim como em Buenos Aires e em Lima.

Já a mexicana Grin uniu forças com a brasileira Yellow para fortalecer sua presença na região.

Os patinetes facilitam a locomoção nos horários de pico nas capitais latino-americanas, que ocupam três dos primeiros cinco lugares (Bogotá, Cidade do México e São Paulo) na lista de cidades com o pior tráfego do mundo, segundo a empresa especializada Inrix.

Ao mesmo tempo, uma crescente classe média na região tem acesso a celulares e a um meio de pagamento virtual.

A escalada de conflitos e acidentes obrigou as autoridades de diferentes cidades a emitirem diretrizes para a operação de patinetes.

O primeiro ponto "é como podemos implementar mobilidade de 'scooters' e bicicletas, mas, ao mesmo tempo, garantir a segurança das pessoas que usam esses veículos", diz Iván de la Lanza, especialista da WRI, instituição que ajuda diferentes cidades a tratar de temas como mobilidade sustentável.

"O ambiente de insegurança viária ao redor (do patinete), as altas velocidades, a falta de regulação em veículos motores, a falta de infraestrutura segura: é o que está gerando a maior parte de acidentes", acrescenta.

- "Um pouquinho de cultura" -Na Cidade do México, as autoridades ordenaram que, assim como no caso das bicicletas, os patinetes circulem em ciclovias, ou nas ruas, e recomendaram o uso de capacete.

Além disso, estabeleceram o número de unidades que cada operadora pode ter e estabeleceram um pagamento que deve ser feito à capital por cada patinete. Tanto a Lime quanto a Grin podem ter, por exemplo, até 1.750 unidades.

"Acreditamos que (os patinetes) são bons, porque incentivam viagens não motorizadas. Acreditamos que regulá-los seja a melhor alternativa", diz a diretora-geral de segurança viária da Cidade do México, Fernanda Rivera.

Apenas em abril, as autoridades peruanas proibiram que os patinetes circulem pela vias de pedestres e estabeleceram um limite de velocidade de 20 km/h. Em Bogotá, o governo emitiu regras similares, além do uso obrigatório de capacete para os usuários.

No Brasil, o governo limitou a velocidade a 6 km/h em áreas de pedestres e, a 20 km/h, em ciclovias.

Apesar dessas regras, os usuários de patinetes na Cidade do México estão acostumados aos conflitos com motoristas, pedestres e ciclistas e pedem simplesmente mais educação da população.

"Infelizmente, faz falta um pouquinho de cultura", lamenta Joaquín Ramos, engenheiro de 33 anos que se dedica a recolher e recarregar os patinetes para ganhar cerca de 30 pesos (1,50 dólar) por cada um.

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