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BCE prevê fragilidade prolongada da economia da zona do euro

12/09/2019 16h36

Frankfurt am Main, 12 Set 2019 (AFP) - Sob pressão inédita, o Banco Central Europeu (BCE) adotou, nesta quinta-feira uma série de medidas para apoiar uma conjuntura fragilizada na zona do euro, ao mesmo tempo em que pediu para os governos da reunião assumirem suas responsabilidades em termos de aumento dos gastos públicos.

Redução dos juros, nova compra de dívida pública e privada, sistema de juros regressivo e empréstimos gigantes para aliviar os títulos: o instituto mostrou mais uma vez seu arsenal anticrise esperado para o verão (boreal) pelos mercados financeiros.

O risco de recessão é "fraco", mas "aumentou", alertou Draghi, e o BCE prevê "uma fragilidade mais prolongada da economia na zona do euro, a persistência de riscos de queda e uma pressão inflacionária estável".

A entidade reduziu suas previsões de crescimento para este ano e próximo: em 2019, a expansão seria de 1,1% na zona do euro (contra 1,2% previsto antes), e em 2020, 1,2% (ante 1,4%).

"Vocês se lembram que eu disse: 'todos os instrumentos estão sobre a mesa, todos estão prontos para serem usados'. Pois bem, hoje fizemos isso", declarou Draghi.

Voltando ao personagem de "Super Mario", forjado durante as crises que marcaram seu mandato de oito anos, o banqueiro italiano decidiu aplicar as medidas que estavam em suspenso antes de entregar a instituição no final de outubro a sua sucessora, a francesa Christine Lagarde, diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI).

As medidas são um "big bang", segundo o banco ING, e um "adeus aos mercados", de acordo com LBBW e Berenberg.

Os comentários mostram a magnitude do acontecimento, embora os investidores tenham reagido em duas etapas: primeiro aplaudindo os anúncios, antes de digerir com dificuldade o pessimismo da mensagem.

- Voltar a comprar dívida -A instituição com sede em Frankfurt reduziu, pela primeira vez desde março de 2016, sua taxa de depósito, que remunera o dinheiro depositado pelos bancos na instituição, uma medida para estimular os bancos a emprestarem para empresas e cidadãos. A taxa de depósito, que já era negativa, passou de -0,40% para -0,50%.

Em paralelo, numa amostra de sua vontade de apoiar a economia de forma duradoura, o BCE manteve sua principal taxa de juros (0%) e a taxa da linha de crédito (0,25%) inalterada.

O BCE relançou seu amplo programa de compra de ativos, o "quantitative easing", ou QE, que lhe levou a adquirir 2,6 trilhões de euros em títulos públicos e privados entre março de 2015 e dezembro de 2016 na zona da moeda única.

Apesar da oposição de vários bancos centrais, essas compras serão retomadas em 1 de novembro no ritmo de 20 bilhões de euros ao mês, e durará "pelo tempo que for necessário".

Por outro lado, o BCE adotou um sistema da taxas escalonado para aliviar a carga de juros que pesa sobre os bancos e modificou as condições de empréstimos gigantes acordados aos estabelecimentos financeiros a partir de 19 de setembro para torná-los mais favoráveis.

- Estados devem agir -Embora o coquetel de medidas fosse esperado, as reações não demoraram a chegar: o mercado da dívida teve forte queda, principalmente na Itália, e as bolsas europeias quase quebraram o recorde anual, antes de se acalmarem mais tarde.

Já o euro fechou abaixo de US$ 1,10 e imediatamente após o anúncio das medidas do BCE, o presidente dos EUA, Donald Trump, acusou autoridades europeias de "afetar as exportações dos EUA", "desvalorizando fortemente o euro em relação ao dólar".

Trump reiterou ao mesmo tempo suas críticas ao Federal Reserve (Fed) dos EUA, culpando o organismo por "se sentar sem fazer nada", isto é, sem diminuir rapidamente as taxas de juros.

Draghi fez uma ligação incomum aos países da região, particularmente aqueles que "têm margens orçamentárias", e pediu que eles ajam "de maneira eficiente e rápida" para apoiar a economia, em uma alusão clara à Alemanha.