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O impacto para o Japão em caso de cancelamento de Tóquio-2020

11/03/2020 16h45

Tóquio, 11 Mar 2020 (AFP) - O cancelamento dos Jogos Olímpicos de Tóquio devido ao coronavírus não é algo considerado no momento, mas esse cenário catastrófico para os organizadores já movimenta os economistas, que estão tentando prever seu impacto na economia japonesa.

Sem dados confiáveis suficientes, as opiniões diferem bastante, mas coincidem em um ponto: com ou sem os Jogos, é especialmente o impacto prolongado da epidemia global de coronavírus que pode prejudicar a economia do Japão neste ano.

- Qual é o custo para o Japão? -No final de 2019, os organizadores haviam estimado que o custo total da organização dos Jogos de Tóquio (24 de julho a 9 de agosto) alcançaria os 11,5 bilhões de euros da parte japonesa.

Este gasto é dividido entre a cidade de Tóquio (cerca de 5,037 bilhões de euros), o comitê de organização japonês dos Jogos (outros 5,087 bilhões de euros) e o Estado central (cerca de 1,265 bilhão de euros).

No entanto, a implicação financeira do Estado seria mais importante (8,9 bilhões de euros), de acordo com a comissão japonesa de verificação de contas, que prefere levar em conta as despesas incorridas desde a atribuição dos Jogos a Tóquio em 2013.

As empresas privadas japonesas também patrocinaram o evento com cerca de EUR3 bilhões, um recorde.

Por outro lado, esse valor não inclui as parcerias globais firmadas entre multinacionais e o Comitê Olímpico Internacional (COI) e que abrangem vários Jogos Olímpicos. Entre esses gigantes estão as empresas japonesas Toyota, Bridgestone e Panasonic.

- Quais seriam os setores afetados? -Para a Capital Economics, o impacto de um cancelamento dos Jogos seria limitado para a economia japonesa, uma vez que a maior parte dos investimentos - especialmente a construção de novos equipamentos esportivos - já foi realizada e contribuiu para o PIB nacional nestes últimos anos.

Mas o cancelamento seria um novo golpe duro para o turismo e o consumo no Japão, que está há meses em crise.

A atividade turística no país começou a sofrer no verão passado, quando as tensões históricas entre Tóquio e Seul reacenderam, levando a um boicote maciço do Japão por parte dos turistas sul-coreanos, o segundo maior contingente de visitantes estrangeiros no Japão, após os chineses.

Com a explosão da nova epidemia de coronavírus este ano, o Japão está privado de turistas da Coreia do Sul e da China, responsáveis por cerca da metade dos 31,9 milhões de visitantes estrangeiros no país em 2019.

No entanto, a importância do turismo para a economia japonesa altamente diversificada e industrializada ainda é pequena: os gastos de turistas estrangeiros mal representaram 0,9% do PIB do Japão em 2018, segundo o escritório de estudos econômicos da CEIC.

O consumo das famílias no Japão também é menor desde outubro passado, prejudicado pelo aumento do Imposto sobre Valor Agregado (IVA) no país.

- Qual será o impacto para o PIB? -Os economistas da Nomura preveem uma contração de 0,7% no PIB do Japão este ano, que pode atingir 1,5% se os Jogos de Tóquio não forem realizados.

Um cancelamento dos Jogos "afetaria a confiança do consumidor japonês", além de privar o país de 2 bilhões de euros de receita vinculada a espectadores estrangeiros, estima Takashi Miwa, economista de Nomura, entrevistado pela AFP.

A organização de Tóquio-2020 não divulga a estimativa de visitantes estrangeiros que compareceriam aos Jogos, limitando-se a lembrar que 4,5 milhões de ingressos já foram vendidos no Japão e que no total existem 7,8 milhões de ingressos, dos quais de 20% a 30% no exterior.

O Ministério do Turismo japonês apostou em 2018 em 600.000 espectadores estrangeiros para os Jogos.

Com base em um cenário bastante modesto de 300.000 visitantes estrangeiros nos Jogos, os economistas do SMBC Nikko Securities preveem um impacto negativo de 1,4% do PIB japonês em caso de epidemia prolongada até julho e cancelamento dos Jogos.

Se a epidemia for interrompida em abril, permitindo a realização dos Jogos, o efeito negativo no PIB do Japão seria limitado a 0,9%, sempre de acordo com o SMBC Nikko.

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