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Coronavírus dá primeiro golpe no emprego nos EUA

19/03/2020 16h59

Washington, 19 Mar 2020 (AFP) - Millhares de pessoas foram demitidas em uma semana nos Estados Unidos devido às medidas drásticas tomadas para lutar contra o novo coronavírus, um argumento que o governo de Donald Trump usará para levar o Congresso a aprovar um pacote de reativação econômica de 1,3 trilhão de dólares.

Enquanto as negociações continuavam nesta quinta-feira nos bastidores, o Departamento do Trabalho dos Estados Unidos divulgava estatísticas preocupantes sobre o emprego em meio à pandemia.

Os pedidos semanais de seguro-desemprego aumentaram fortemente (+70 mil) em consequência do impacto econômico da pandemia, para 281 mil novos pedidos, em dados corrigidos na semana que terminou em 14 de março. Trata-se do nível mais alto desde setembro de 2017, superando as previsões dos analistas.

O aumento "é claramente atribuível aos impactos" do coronavírus, assinalou o departamento, assinalando que, em vários estados, houve um aumento das demissões ligadas à pandemia, principalmente nos setores de hotelaria, restaurantes e transporte.

Medidas como o fechamento de bares e restaurantes e o cancelamento de voos, eventos e viagens para conter a expansão da doença levaram muitos setores a uma queda da atividade.

Nos Estados Unidos, muitos empregos do setor de serviços são precários, remunerados por dia ou semana. Quando a conjuntura piora, eles são as primeiras vítimas, uma vez que não existe uma rede de seguro social, como na Europa ou em países latinos.

Em alguns estados, como Nova York, Oregon e Nova Jersey, houve um fluxo tão grande de pessoas pedindo subsídios pela internet, que os sistemas ficaram bloqueados, informou a rádio pública NPR.

Segundo o canal CNBC, Michelle Myer, economista-chefe do Bank of America, enviou uma carta aos clientes da instituição para informá-los de que a economia americana está em recessão. "Empregos serão perdidos, a riqueza será destruída, a confiança irá se esvair", advertiu. "O declive será importante, mas acreditamos que terá curta duração."

Economistas assinalaram nos últimos dias que os fundamentos da economia americana estavam saudáveis antes da pandemia, e que esperam um rebote importante após a crise.

Os Estados Unidos tinham um índice de desemprego de 3,5% em fevereiro, o menor em cinco anos, e a previsão de crescimento econômico era de mais de 2%, acima da Europa.

- Quarto trimestre 'gigante' -O secretário americano do Tesouro, Steven Mnuchin, não quis comentar nesta quinta-feira previsões econômicas catastróficas para o segundo trimestre, depois que o banco JP Morgan previu uma contração do PIB de 14% nos Estados Unidos.

"Acredito que haja especulações. Ninguém tem um panorama exato da situação", assinalou. No entanto, no terceiro trimestre poderia haver um rebote, para um quarto trimestre "gigantesco", assinalou, confiante na capacidade do país de encontrar uma vacina para a Covid-19.

Neste momento, a prioridade é que seja aprovado "o plano de reativação de 1 trilhão de dólares para injetar dinheiro na economia", destacou Mnuchin no canal Fox Business News. Ontem, ele sugeriu que o desemprego pode chegar a 20% se os deputados não agirem rapidamente.

Antecipando um debate sobre o déficit que um plano deste volume inédito geraria, Mnuchin destacou que emitir mais dívida pública "não é um problema".

O FMI adverte regularmente os Estados Unidos sobre o nível de sua dívida pública, exponencial. Antes da pandemia, o déficit fiscal federal estava projetado para acima do trilhão de dólares anual nos próximos 10 anos.

Dt/vog/cj/mr/gma/lb