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Mercados voltam a cair, preocupados com o avanço do coronavírus nos EUA

27/03/2020 17h31

Paris, 27 Mar 2020 (AFP) - Muito preocupados com a aceleração da pandemia de coronavírus, especialmente nos Estados Unidos, os mercados voltaram a cair nesta sexta-feira (27), deixando para trás o otimismo que as medidas de apoio dos governos e bancos centrais haviam incutido.

As ações de Wall Street afundaram, depois de três sessões positivas, apesar da aprovação pela Câmara de Representantes de um pacote de US$ 2 trilhões para enfrentar a crise do coronavírus.

No fechamento, o Dow Jones Industrial Average ficou em 21.612,93 pontos, queda de 4,1%. O índice ampliado S&P 500 caiu 3,4%, para 2.541,45, enquanto o tecnológico Nasdaq Composite Index caiu 3,8%, para 7.502,38.

Apesar da derrota de sexta-feira, todos os três índices terminaram a semana com sólidos ganhos.

Embora os índices na Ásia tenham fechado no positivo, com a bolsa de Tóquio em alta de 3,88%, os mercados na Europa iniciaram a sessão com perdas.

Paris perdeu 4,2%, Londres 5,5%, Frankfurt 3,7%. As bolsas de Milão e Madri, nos países mais afetados pela pandemia na Europa, caíram 3,15% e 3,63%, respectivamente.

"A ausência de decisões na reunião dos 27 países da União Europeia (UE) decepcionou" os mercados europeus, avalia Jean Asseraf-Bitton, chefe de estratégia de investimentos da Lyxor AM.

Os 27 decidiram na quinta-feira adiar o estudo de medidas mais fortes para aliviar as conseqüências econômicas da pandemia.

"As quedas de hoje (sexta-feira) são provavelmente o produto de três dias de fortes ganhos" das ações, que os investidores reposicionaram para colher rapidamente benefícios, disse Michael Hewson, da CMC Markets UK.

Os mercados de ações europeus conseguiram se recuperar por três dias seguidos até quinta-feira, impulsionados por iniciativas de bancos centrais e estados para tentar combater a devastação do Covid-19 nas economias.

- Planos de apoio -Nos Estados Unidos, Câmara de Representantes, controlada pelos democratas, aprovou um plano de apoio de US$ 2 trilhões, que agora apenas precisa ser promulgado pelo presidente Donald Trump para entrar em vigor.

O presidente do Federal Reserve (Fed) também prometeu na quinta-feira que a instituição continuaria a emprestar dinheiro "agressivamente" para combater o impacto econômico da pandemia, em uma entrevista ao vivo. Essas declarações incutiram otimismo nos mercados.

Os líderes dos 20 países mais industrializados do mundo prometeram injetar mais de US$ 5 trilhões na economia para "combater os impactos sociais, econômicos e financeiros da pandemia", segundo anunciaram na quinta-feira em uma reunião virtual de emergência presidida por Riade.

A Alemanha também lançou um plano de resgate de cerca de 1,1 trilhão de euros, uma medida "sem precedentes desde a Segunda Guerra Mundial", nas palavras do ministro das Finanças, Olaf Scholz.

Nesta sexta também houve um sinal de conciliação entre Pequim e Washington, após uma série de ataques verbais entre as duas potências nos últimos dias em torno da pandemia.

O presidente chinês, Xi Jinping, disse nesta sexta-feira em uma conversa por telefone com seu colega americano Donald Trump que os dois países, apesar de sua rivalidade, "devem se unir contra a epidemia" de COVID-19, informou um veículo oficial.

"Agora que os mercados responderam positivamente aos planos excepcionais apresentados pelas autoridades nos últimos dias, acreditamos que o aumento nos índices se manterá", disse Tangi Le Liboux, especialista da Aurel BGC.

O mercado do petróleo fechou com nova queda nesta sexta-feira. O barril de WTI para entrega em maio fechou a 21,51 dólares em Nova York, 4,8% abaixo do fechamento da véspera. Em Londres, o Brent do mar do Norte para entrega no mesmo prazo recuou 5,4%, a 24,13 dólares o barril em Londres.

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