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Comissário da UE pede à Alemanha compromisso com 'coronabônus'

30/03/2020 14h17

Roma, 30 Mar 2020 (AFP) - O comissário europeu da Economia, Paolo Gentiloni, considerou, nesta segunda-feira (30), que os países do bloco nunca estarão de acordo quanto a mutualizar sua dívida, mas que um compromisso com a Alemanha é crucial para conseguir um plano confiável para enfrentar o coronavírus.

Uma forma de financiar o enorme esforço necessário para alavancar a economia europeia durante a crise é "emitir bônus, mas não para mutualizar a dívida de maneira genérica, o que nunca será aceito", disse Gentiloni à rádio italiana Capital.

Na última quinta-feira, a Alemanha e os Países Baixos rejeitaram o pedido de nove países europeus, entre eles França, Itália e Espanha, de criar um "instrumento de dívida comum emitido por uma instituição europeia", conhecido como "coronabônus".

A mutualização da dívida entre os 19 países da Eurozona é uma tradicional linha vermelha da Alemanha, partidária da ortodoxia fiscal e que considera os países do sul da Europa mais permissivos em matéria de disciplina orçamentária.

Hoje, o primeiro-ministro italiano, Giuseppe Conte, insistiu em que a Itália não espera que sua dívida seja compartilhada com toda Eurozona. "Ninguém pede à Europa que assuma as dívidas soberanas", disse ele ao jornal espanhol "El País".

"É o momento de introduzir uma ferramenta de dívida comum europeia que nos permita vencer o quanto antes esta guerra e relançar a economia", acrescentou o líder da terceira economia europeia e o país da UE mais afetado pelo vírus.

O comissário europeu de Economia advertiu que, sem uma resposta unificada para a crise do coronavírus, "o projeto europeu está em perigo".

E - frisou -, sem a Alemanha, "não podemos chegar a um compromisso.

Em entrevista coletiva, o porta-voz da Comissão Europeia, Eric Mamer, ressaltou as objeções de alguns países aos chamados "coronabônus".

"Estas limitações estão aí, e não podemos simplesmente desejar que desapareçam", acrescentou.

A Alemanha veria com bons olhos que os países mais afetados recorressem ao Mecanismo Europeu de Estabilidade (MEDE), o fundo de resgate da zona euro de cerca de 410 bilhões de euros. Esta opção enfrenta resistência da Itália.

Com a lembrança ainda fresca da gestão da última crise da dívida no bloco, a qual levou Grécia, Irlanda, Espanha, Portugal e Chipre a pedirem resgates, Roma alega que o desafio atual é diferente, afetando o conjunto de países por igual.

O governo italiano teme ficar marcado nos mercados, se for o único (ou um dos poucos países) a recorrer ao MEDE. Teme ainda pelas eventuais condições de reforma a serem impostas em troca da ajuda.

ams-arp-tjc/mb/tt