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Equador vai inaugurar primeiro teleférico da América Latina que cruza um rio

18/12/2020 19h46

Quito, 18 dez 2020 (AFP) - O primeiro teleférico de transporte coletivo que cruza um rio na América Latina será inaugurado na próxima segunda-feira no porto marítimo de Guayaquil, no centro comercial do Equador, após ser construído com financiamento francês para transportar 40 mil pessoas por dia.

"É a primeira via aérea que não sobe uma montanha, e sim atravessa um rio, na América Latina", disse nesta sexta-feira (18) Clotilde Boutrolle, diretora da Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD) no Equador.

O teleférico tem extensão de 4,1 km. Ele liga a cidade de Durán ao centro de Guayaquil e cruza cerca de 2 km acima do poderoso rio Guayas, considerado emblemático na região.

Com a obra, construída pelo consórcio formado pela francesa Poma e a dominicana Sofratesa, o Equador se une aos poucos países latino-americanos que possuem sistemas de transporte de passageiros por cabo, como Brasil, México, Colômbia, Bolívia e Venezuela.

Quito conta com um funicular de 2,5 km para uso turístico desde 2005, que sobe de cerca de 3.100 metros acima do nível do mar até quase 4.000 metros, um dos mais altos do mundo.

"É a primeira infraestrutura financiada pela AFD que entrará em operação no Equador", disse Boutrolle à AFP. Ela acrescentou que o teleférico de Guayaquil evitará a emissão de cerca de 15 mil toneladas de CO2 por ano, "o que representa quase 5 mil voos de ida e volta entre Quito e Paris". Além disso, ele fará o percurso, de 4,1 km, em 17 minutos, contra 45 minutos que leva um automóvel.

A AFD, que, desde 2015, concedeu empréstimos de cerca de 800 milhões de dólares a vários entes públicos do Equador, contribuiu com 85% dos 134 milhões de dólares necessários para a obra. A Poma-Sofratesa, que irá operar o sistema por 30 anos, foi responsável pelo restante.

O empréstimo francês foi concedido ao município de Guayaquil sem garantia do Estado, o que é "um fato um tanto particular" segundo Boutrolle, com prazo de 20 anos mais cinco de carência, e deverá ser pago a partir de 2022.

A AFD financia outros projetos no país sul-americano, incluindo um para garantir o abastecimento de água em Quito, que tem 2,8 milhões de habitantes, e outros para a preservação do meio ambiente e o combate às mudanças climáticas.

SP/dg/ic/lb