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Plano republicano contra a covid ignora prioridades de Biden

01/02/2021 18h24

Washington, 1 Fev 2021 (AFP) - O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, se reúne nesta segunda-feira (1) com senadores republicanos, que propuseram uma alternativa ao ambicioso plano de combate à covid-19, do novo governo, mas suas medidas excluem vários pontos considerados essenciais pelos democratas.

Biden, que defende a restauração dos acordos bipartidários, propõe gastar US$ 1,9 trilhão para revitalizar a maior economia do mundo depois que a pandemia gerou uma onda colossal de demissões.

Os republicanos, porém, dizem que não apoiarão esse volume de gastos.

Uma dezena de republicanos revelou, no domingo, medidas que consumiriam cerca de 600 bilhões de dólares, e Biden os receberá hoje para discuti-las em um encontro classificado pela porta-voz do presidente, Jen Psaki, de "uma oportunidade para troca de ideias", embora não será "um fórum para que o presidente aceite a proposta".

Mas um esboço dessa proposta mostra que ela exclui a ajuda aos governos estaduais e locais - que os democratas consideram central para qualquer pacote de ajuda.

Também reduz para US$ 1.000 os cheques de ajuda ao cidadão, que o governo Biden havia fixado em 1.400, e também torna as condições para sua obtenção mais restritivas.

Tal como foi escrita, será difícil para a iniciativa republicana obter apoio do partido democrata no poder e Biden continuou a promover o seu plano nesta segunda-feira.

"Estamos enfrentando uma crise econômica causada por uma crise de saúde pública e precisamos de ajuda urgente para lidar com ambas", tuitou Biden.

"Meu American Rescue Plan (Plano de Resgate Americano) chega ao fundo dessas crises e colocará nosso país no caminho de se reconstruir melhor", acrescentou.

Como sintoma dos problemas de saúde econômica, o governo informou na semana passada que o número semanal de pedidos de seguro-desemprego foi de 1,3 milhão, um balanço enorme após dez meses de atividades econômicas restritas pela pandemia.

No ano passado, a economia americana sofreu sua pior contração desde 1946 ao registrar uma queda do PIB de 3,5%. Contudo, uma recuperação poderia chegar antes que o esperado.

O gabinete do Congresso encarregado do orçamento declarou nesta segunda-feira que espera que em meados do ano a economia volte a seus níveis anteriores à pandemia devido, "em grande parte, ao fato da queda não ter sido tão severa como esperava-se e porque a primeira etapa da recuperação chegou antes e mais forte do que o estimado".

- Novos estímulos -Em 14 de janeiro, Biden anunciou seu plano contra a covid, afirmando ser essencial controlar a pandemia e colocar a economia em marcha novamente.

Esse pacote de ajuda incluiria cheques para os mais pobres, fundos para a reabertura das escolas, acelerar vacinações e testes, apoiar pequenas empresas e aumentar a ajuda alimentar para aqueles que dela precisam.

Para os republicanos, esse programa é muito caro em um momento em que a dívida atinge níveis históricos e quando o Congresso já garantiu US$ 4 trilhões contra a pandemia, incluindo US$ 900 milhões aprovados em dezembro.

Agora, querem que a ajuda se concentre diretamente nos mais necessitados.

A proposta dos republicanos aloca US$ 160 bilhões no combate à pandemia, incluindo US$ 20 bilhões para o programa nacional de vacinas, e US$ 50 bilhões para aumentar os testes.

Também propõe US$ 132 bilhões para estender os auxílios-desemprego suplementares até junho.

Já a iniciativa de Biden destina US$ 350 bilhões para governos estaduais e locais, algo que os republicanos ignoram.

Se os democratas do Senado se mantiverem unidos, 10 republicanos seriam suficientes para aprovar o plano de Biden pelo procedimento normal, que requer 60 votos dos 100.

Caso contrário, os democratas poderiam recorrer ao procedimento de "reconciliação", que permitiria a aprovação por maioria simples.

cs/bgs/gm/rsr/mr/am

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