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Rússia 'freia' funcionamento do Twitter e ameaça com bloqueio

10/03/2021 16h48

Moscou, 10 Mar 2021 (AFP) - A Rússia anunciou nesta quarta-feira (10) que está "freando" o funcionamento do Twitter, ao acusar a plataforma de não remover conteúdos "ilegais", uma advertência inicial que ilustra a tensão crescente entre Moscou e os gigantes das redes sociais.

Autoridades russas aumentaram nas últimas semanas as críticas às empresas americanas Twitter, Facebook e YouTube, assim como à plataforma chinesa Tik Tok, denunciando sua onipotência no que diz respeito à moderação de conteúdos, especialmente políticos.

Desta vez, porém, o Twitter não foi acusado por este tipo de publicação, e sim por conteúdo considerado como pornografia infantil ou de apologia às drogas e ao suicídio.

"Adotamos medidas de resposta centralizadas contra o Twitter, concretamente reduzindo a velocidade do serviço", anunciou o Roskomnadzor (Serviço Federal de Supervisão de Comunicações, Tecnologia da Informação e Meios de Comunicação), que tem o poder de bloquear sites na Rússia.

Logo esclareceu que a desaceleração se aplica a "conteúdos de áudio, vídeo e imagem gráfica", mas não a mensagens de texto, que constituem a maior parte das interações no Twitter.

O Roskomnadzor afirmou que a desaceleração "já começou". Jornalistas da AFP constataram um atraso de alguns segundos na atualização do Twitter.

O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, disse que, embora os russos "devam ter a capacidade de acessar todos os recursos globais (da internet)", eles "devem respeitar a lei russa". Autoridades russas acusam a empresa americana de não eliminar conteúdos "que incitam menores ao suicídio, que contêm pornografia infantil e informações sobre o consumo de drogas". "Se o Twitter continuar ignorando os requisitos da lei, as respostas continuarão de acordo com as normas e podem chegar ao bloqueio", indicou o Roskomnadzor.

O gigante americano respondeu horas depois, negando as acusações. "Nossa política é de tolerância zero quanto à exploração sexual infantil, e é contra as regras do Twitter provover, glorificar ou incentivar o suicídio ou as autolesões."

- Controle da internet -Moscou está com as principais redes sociais em sua mira há várias semanas, com a acusação de que permitiram publicações ilegais de apoio ao opositor detido Alexei Navalny.

Em janeiro foram divulgadas convocações de manifestações, duramente reprimidas pela polícia.

Na segunda-feira, a porta-voz da diplomacia russa, Maria Zakharova, acusou os gigantes da internet de "operar fora do marco legal" e de "não obedecer com frequência a nenhuma lei russa".

Um dia antes, o Facebook bloqueou textos dos meios de comunicação russos RBK e TASS sobre a detenção de supostos "extremistas" ucranianos.

As redes sociais também já bloquearam contas de várias personalidades russas, como o diretor do programa espacial Dmitry Rogozin, o líder checheno Ramzan Kadyrov e o empresário Yevgueni Prigózhin.

No fim de janeiro, o presidente Vladimir Putin afirmou no Fórum de Davos que os gigantes da internet "já competem de fato com os Estados" e citou suas "tentativas de controlar brutalmente a sociedade".

Em um país onde, ao contrário da imprensa tradicional, a internet permanece relativamente livre, muitos jovens se informam cada vez em plataformas como o YouTube.

Os vídeos de astros da web como Yuri Dud, conhecido por seus documentários impactantes, ou as investigações anticorrupção envolvendo o opositor Alexei Navalny, que se encontra preso, acumulam dezenas de milhões de 'views'.

Em resposta, nos últimos anos, as autoridades aumentaram a pressão na "runet", a internet russa, em nome da luta contra o extremismo, o terrorismo e a proteção dos menores de idade.

Conceitos que não fazem sentido, segundo os críticos do Kremlin, que os consideram como tentativas de censura.

A Rússia já bloqueia vários sites da oposição ou que se negam a cooperar com o governo, como a rede social profissional LinkedIn, que pertence à empresa americana Microsoft.

Twitter, Facebook e Google são multados regularmente, mas os valores continuam irrisórios em comparação a seus lucros.

As autoridades russas também atacaram em 2018 o popular serviço de mensagens criptografadas Telegram por sua recusa a fornecer às forças de segurança os meios para ler as mensagens de seus usuários.

Mas depois de dois anos de um bloqueio pouco efetivo, desistiram e retiraram a proibição.

pop/alf/mba/pc/me/fp/lb

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