PUBLICIDADE
IPCA
+0,31 Abr.2021
Topo

Mercosul agenda nova reunião em maio para debater flexibilização

Bandeira do Mercosul - Getty Images/iStockphoto
Bandeira do Mercosul Imagem: Getty Images/iStockphoto

26/04/2021 20h13

Buenos Aires, 26 Abr 2021 (AFP) - Os países-membros do Mercosul vão discutir formalmente a flexibilização de suas negociações com terceiros e uma redução da tarifa externa comum em uma reunião que será celebrada em Buenos Aires na segunda quinzena de maio, anunciaram as chancelarias de Argentina e Uruguai.

A celebração de uma reunião presencial de ministros em Buenos Aires foi acordada nesta segunda-feira (26), ao final de um encontro virtual extraordinário no qual foram abordados os dois temas propostos pelo Uruguai.

"A proposta uruguaia passa ao estudo dos coordenadores do Grupo do Mercado Comum, a fim de gerar os insumos que habilitem a tomar decisões na próxima reunião do Conselho do Mercado Comum", informou a chancelaria uruguaia no Twitter.

A Argentina, a cargo da presidência pró-tempore do Mercosul, destacou em um comunicado que com relação à revisão da tarifa externa comum - promovida pelo Brasil - propõe-se "alcançar uma convergência com as propostas dos Estados Partes durante este semestre".

"Devemos pensar quais capacidades têm os diferentes setores da economia para suportar uma redução de diferentes posições da tarifa externa comum e que implicância tem uma redução unilateral frente a negociações externas", declarou o chanceler argentino, Felipe Solá.

Quanto à flexibilização das negociações com países terceiros ou blocos, posição impulsionada sobretudo pelo Uruguai, a Argentina propôs que "ao finalizar este semestre seja elaborada uma proposta de plano de negociações externas que identifique prioridades da agenda externa do Mercosul e o plano de modalidades específicas de ofertas (comerciais) e de disciplinas, e se elabore um relatório completo sobre a situação das diferentes negociações", segundo o comunicado.

- Bloco partido ao meio -Tanto a redução da tarifa externa comum quanto uma flexibilização que permita alcançar acordos comerciais sem o consenso dos quatro integrantes do Mercosul são assuntos polêmicos, que dividem o bloco.

Por ocasião da reunião desta segunda, o Uruguai assegurou contar com o apoio do Brasil, enquanto o Paraguai coincidiu com a posição da Argentina.

"Com o apoio total do Brasil, a proposta do Uruguai sobre a flexibilização e a tarifa externa comum entra formalmente no Mercosul", comemorou a chancelaria uruguaia no Twitter.

Enquanto isso, o vice-ministro de Relações Econômicas e Integração da chancelaria paraguaia, Raúl Cauno, expressou que seu país coincidiu com a Argentina em que flexibilização e tarifa alfandegária "são duas instâncias diferentes que não podem estar em um mesmo instrumento porque têm particularidades e impactos diferentes".

"Brasil e Uruguai dizem: 'Senhores, não estamos cumprindo essa obrigação de nos integrarmos ao mundo e queremos que nos deem a oportunidade de negociar a 4, a 3, a 2 ou individualmente...", disse Cauno à AFP. A proposta uruguaia "não é a forma adequada porque ataca os fundamentos de uma união alfandegária, que é o estágio prévio para a composição do que queremos alcançar: um mercado comum", acrescentou o funcionário.

Os presidentes de Argentina, Alberto Fernández, e do Uruguai, Luis Lacalle Pou, se enfrentaram na última cúpula do Mercosul, em 26 de março, devido a suas posições contraditórias sobre a flexibilização do bloco comercial.

Na ocasião, o presidente uruguaio afirmou que o Mercosul "não pode ser um obstáculo" que impeça o avanço comercial do seu país, ao que Fernández respondeu que se a Argentina for considerada um obstáculo, "que peguem outro barco".

Criado há 30 anos, o Mercosul requer o consenso para suas decisões, o que o Uruguai questiona agora com veemência.

"Se todos não estiverem de acordo, o Mercosul não avança. Justamente o que nós estamos propondo vai atacar diretamente este ponto: os que não querem avançar por determinada razão que deem lugar a algum dos parceiros para que avance", disse nesta segunda-feira o presidente uruguaio, Lacalle Pou.