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Líder do FMI diz que reunião com presidente da Argentina foi 'construtiva'

Diretora-gerente do FMI, Kristalina Georgieva - REMO CASILLI
Diretora-gerente do FMI, Kristalina Georgieva Imagem: REMO CASILLI

14/05/2021 08h52Atualizada em 14/05/2021 09h17

Roma, 14 Mai 2021 (AFP) - O presidente da Argentina, Alberto Fernández, se reuniu nesta sexta-feira (14) em Roma com a búlgara Kristalina Georgieva, diretora do Fundo Monetário Internacional (FMI), num encontro "construtivo" para a renegociação da imensa dívida com o organismo.

O encontro, que durou meia hora, não estava na agenda oficial do presidente sul-americano e foi organizado na véspera na Itália, para o último dia de sua viagem europeia.

"Foi uma reunião muito construtiva. Foi muito gratificante encontrar pessoalmente Alberto Fernández pela primeira vez", afirmou Georgieva em uma breve declaração à imprensa no final da reunião no hotel onde a delegação presidencial está hospedada.

"Falamos sobre a situação da Argentina e da América Latina. Nossas equipes continuarão trabalhando para chegar a um programa", ressaltou.

Por sua vez, Fernández expressou "otimismo" e afirmou que espera chegar a um acordo "o mais rápido possível" para renegociar a dívida.

"Foi uma reunião muito franca, onde expressamos nossa vontade de resolver o problema da dívida argentina", garantiu à imprensa.

"Como sempre digo, é preciso encontrar uma solução que não anule o povo argentino, que ainda vive um momento péssimo da pandemia, e uma economia que herdamos e que é difícil de organizar", frisou.

O presidente argentino obteve esta semana o apoio de quatro países - Portugal, Espanha, França e Itália, além do apoio simbólico do papa Francisco - para suas negociações com o FMI com o objetivo de eliminar ou reduzir as sobretaxas de juros aplicadas pelo organismo de crédito.

O encontro desta sexta-feira também foi possível graças à participação de Georgieva, juntamente com a secretária do Tesouro dos Estados Unidos, Janet Yellen, em um seminário organizado pelo Vaticano sob o lema "Sonhando com um futuro melhor", para abordar desafios éticos, econômicos e políticos após a pandemia do coronavírus.

A Argentina deve reembolsar nos próximos três anos quase todos os quase 45 bilhões de dólares que o FMI emprestou ao anterior governo liberal de direita de Mauricio Macri (2015-2019) para evitar em 2018 um colapso financeiro e um default dos principais títulos estatais em dólares.

Também deve lidar este ano com um vencimento de US$ 2,4 bilhões com o Clube de Paris.

Compromissos difíceis de cumprir em plena pandemia, com números recordes de infecções e mortes.

Apoio valioso do papa

O governo busca um acordo para um programa de extensão de crédito de até 10 anos, com quatro de carência, para ressarcir o valor recebido pelo governo Macri.

O andamento das negociações com a instituição deve repercutir no Clube de Paris - formado por 22 países, entre eles França, Alemanha e Japão.

Durante seu giro pela Europa, Fernández garantiu que a dívida herdada é "impagável" para a Argentina, em recessão há três anos, situação agravada pela pandemia.

Em meados de abril, o ministro da Economia argentino, Martín Guzmán, também viajou pela Europa com o objetivo de angariar apoios.

Nesta sexta-feira, Guzmán se reuniu com a vice-diretora do Departamento do Hemisfério Ocidental do FMI, responsável pelo caso.

O "otimismo" prevalece na delegação argentina, que retorna hoje a Buenos Aires.

Entre os valiosos apoios obtidos está o do papa Francisco, que recebeu Fernández por quase meia hora em audiência privada na quinta-feira.

Extremamente preocupado com a situação social de seu país, o pontífice argentino pediu em diversas ocasiões a redução ou o perdão da dívida externa, especialmente a dos países mais pobres.

Para muitos observadores, o encontro entre o presidente e a diretora do FMI faz parte da chamada diplomacia "silenciosa" de Francisco, que luta em favor de uma "nova arquitetura financeira internacional" para enfrentar as alarmantes desigualdades desencadeadas pela pandemia.

"Ainda há tempo de iniciar um processo de mudança global para implementar uma economia diferente, mais justa, mais inclusiva e sustentável que não deixe ninguém para trás", instou o papa em 4 de maio em uma mensagem de vídeo divulgada por ocasião da maratona de orações para pedir o fim da pandemia.