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Presidente da Evergrande pede que grupo 'faça o que puder' para honrar obrigações

Hui Ka Yan, CEO da Evergrande - Xiaomei Chen/South China Morning Post via Getty Images
Hui Ka Yan, CEO da Evergrande Imagem: Xiaomei Chen/South China Morning Post via Getty Images

Da AFP

23/09/2021 09h41Atualizada em 23/09/2021 10h08

O presidente da gigante imobiliária chinesa Evergrande, profundamente endividada, cuja possível falência pode perturbar a economia, pediu ao grupo que "faça o que puder" para cumprir suas obrigações, informou a imprensa oficial nesta quinta-feira (23).

O conglomerado privado tem uma dívida de cerca de US$ 300 bilhões. Uma inadimplência pode causar uma forte desaceleração no setor da construção na China e ter consequências nos mercados mundiais.

Sob forte pressão, Evergrande também enfrenta há várias semanas furiosos protestos de compradores de apartamentos e investidores, exigindo sua casa, ou seu dinheiro.

Na quarta-feira (22), o presidente do grupo, Xu Jiayin, reuniu mais de 4.000 funcionários da empresa para pedir a eles "que dediquem toda sua energia à retomada do trabalho e da produção e à entrega de bens imóveis", informou o "China Securities Journal".

Xu, que já foi uma das maiores fortunas da China, também enfatizou que o grupo deve "fazer tudo o que puder para honrar" suas obrigações.

Nesta quinta-feira (23), expirava o prazo para a empresa pagar US$ 83,5 milhões de juros sobre um título em moeda americana. E a noite chegou sem que a Evergrande tenha comunicado um possível pagamento.

Caso o prazo não tenha sido cumprido, Evergrande terá um período de carência de 30 dias antes de ser declarada inadimplente.

Incapaz de obter empréstimos nos mercados internacionais e com liquidez limitada, o grupo tentou reembolsar alguns de seus credores em espécie, oferecendo vagas de estacionamento e imóveis inacabados.

"Apenas com a retomada plena do nosso trabalho, da nossa produção, das nossas vendas e das nossas operações, poderemos garantir os direitos e interesses dos proprietários dos apartamentos e assegurar o pagamento dos investidores", disse Xu Jiayin na manhã de quarta-feira (22), de acordo com o "China Securities Journal".

O temor de uma repetição na China, segunda maior economia do mundo, do cenário do Lehman Brothers, cuja falência precipitou a crise de 2008 nos Estados Unidos e no mundo, abalou os mercados financeiros nos últimos dias.

Enquanto isso, o governo chinês não informou se intervirá em favor do conglomerado privado.

De acordo com a agência financeira Bloomberg, recentemente, os entes reguladores aconselharam a Evergrande a se concentrar na conclusão dos imóveis em construção e no pagamento dos investidores individuais, evitando o calote de seus títulos em dólares.

Mas "não há indicação de que os reguladores tenham oferecido apoio financeiro à Evergrande" pelos juros vencidos nesta quinta, escreveu a agência.

O governo central disse às comunidades locais para "estarem preparadas para uma possível falência da Evergrande", escreveu o americano The Wall Street Journal.

Ontem, o gigante imobiliário anunciou ter chegado a um acordo com os detentores de títulos chineses sobre uma pequena parte de sua dívida, o que contribuiu para renovar o otimismo nos mercados de ações.

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