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Utilizar reservas estratégicas de petróleo é raro e traz impacto temporário

Ofensiva dos EUA, China e mais países pressiona o mercado de petróleo, mas carrega aspectos mais simbólicos - imaginima/Getty Images
Ofensiva dos EUA, China e mais países pressiona o mercado de petróleo, mas carrega aspectos mais simbólicos Imagem: imaginima/Getty Images

Em Washington (EUA)

23/11/2021 16h05Atualizada em 23/11/2021 16h37

O aumento da inflação que incomoda os americanos levou o presidente Joe Biden a anunciar hoje que os Estados Unidos vão recorrer a reservas estratégicas de petróleo para baixar os custos da gasolina, uma iniciativa que poucas vezes foi utilizada desde a criação da reserva nos anos 1970.

50 milhões de barris de petróleo dos EUA serão despejados no mercado, acompanhados de uma contribuição nesse mesmo sentido, mas ainda não especificada, de outros países, como China, Índia, Japão, Coreia do Sul e Reino Unido.

Apesar de inédita, a iniciativa coordenada entre os diversos países tem um valor muito mais simbólico. Aos olhos dos mercados, o impacto sobre os preços deverá ser de curta duração.

O contexto é de pressão sobre a oferta de petróleo, já que os países da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) mantêm um aumento progressivo de produção, sem alterar o calendário que estabeleceram para dar um impulso nos preços durante a pandemia.

Reservas: quanto e onde?

As reservas estratégicas de petróleo dos EUA foram criadas em 1975 para reduzir os efeitos da crise do petróleo e são as maiores reservas de emergência do mundo.

Estão armazenadas sob um forte esquema de segurança em cavernas de 800 metros de profundidade ao longo da costa do Golfo de México, nos estados da Louisiana e do Texas, e contêm 609 milhões de barris (mb), segundo o Departamento de Energia americano.

"O consumo de petróleo dos americanos chega a 19,5 mb diários. Colocar no mercado 50 milhões de barris corresponde a três dias de demanda das refinarias do país", comentou Andy Lipow, da empresa de consultoria Lipow Oil Associates, para destacar o aspecto simbólico da medida.

"O impacto sobre os preços não deve ser persistente", afirmaram, por sua vez, os analistas da TD Commodities.

Antecedentes: Guerra do Golfo e furacões

Em 1991, George H. W Bush ordenou retirar das reservas 17 milhões de barris durante a primeira Guerra do Golfo.

Em 2005, o filho dele, George W. Bush, liberou 11 mb após a passagem do furacão Katrina, que devastou a Louisiana e a estrutura petrolífera do estado.

Em 2011, Barack Obama disponibilizou 30 mb para suprir os envios de petróleo da Líbia, que haviam sido interrompidos.

Por outro lado, em 2001, logo após os atentados de 11 de setembro, Bush filho ordenou, por precaução, que as reservas fossem preenchidas até o máximo.

Inflação x clima

Em uma época em que a redução das emissões de gases do efeito estufa, que são produto da queima de combustíveis fósseis, está no centro da agenda, utilizar as reservas de petróleo também pode ser alvo de críticas.

"Seria contraproducente em termos de imagem sobre a mudança climática", assinalou recentemente em editorial do jornal Washington Post.

"É certamente uma contradição" para o governo, destacou também John Kilduff, da consultoria financeira Again Capital.

"Os verdadeiros líderes da luta contra a mudança climática são favoráveis a preços altos de petróleo para permitir que as energias renováveis sejam mais competitivas", acrescentou o analista.

Contudo, para o presidente Biden, a inflação, que atingiu em outubro o máximo em três décadas — 6,2% nos últimos 12 meses — e bastante pressionada precisamente pelo preço da gasolina, poderia se tornar um problema político.

Assim, lutar contra o aumento de preços é imperativo para o governo.

"O aumento [dos preços] afeta a popularidade do presidente", segundo Kilduff, que recorda que todas as recessões no país foram precedidas por um aumento nos preços do petróleo.

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