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Rússia ameaça estender ofensiva na Ucrânia e descarta negociações de paz

20/07/2022 18h13

Kiev, Ucrânia, 20 Jul 2022 (AFP) - A Rússia afirmou nesta quarta-feira (20) que seus atuais alvos militares na Ucrânia vão além da região do Donbass, no leste do país, e que descarta manter manifestações de paz com Kiev.

O ministro russo das Relações Exteriores, Serguei Lavrov, garantiu em entrevista que seus alvos militares da Rússia na Ucrânia já não se limitam "unicamente" ao leste do país, uma região parcialmente controlada por separatistas pró-russos desde 2014.

"Não se trata somente de DNR (Donetsk) e LNR (Luhansk), mas também da região de Kherson, a região de Zaporizhia e outros territórios", garantiu o chanceler russo a meios estatais.

Seu homólogo ucraniano, Dmytro Kuleba, respondeu que "a confissão do ministro de Relações Exteriores russo de seu sonho de apoderar-se de mais terras ucranianas demonstra que a Rússia rejeita a diplomacia e se concentra na guerra e no terror".

Após as afirmações de Lavrov, Kuleba pediu aos aliados ocidentais para "reforçar as sanções contra a Rússia e acelerar as entregas de armas à Ucrânia".

Estas declarações foram divulgadas após a Rússia concretizar avanços no leste da Ucrânia nas ultimas semanas, tomando Severodonetsk e Lyssytchansk, o que abriu caminho para uma aproximação das cidades de Kramatorsk e Sloviansk, mais a oeste.

A artilharia russa continua seus incessantes bombardeios no leste, onde na quarta-feira morreram três pessoas na localidade de Kharkiv, segundo autoridades locais.

"Entre os mortos há uma criança de 13 anos", disse o governador regional, Oleg Synegubov, em nota nas redes sociais.

- "Ameaça direta" contra a Rússia -Jornalistas da AFP no local viram um homem devastado, ajoelhado diante do corpo, cercado por cacos de vidro e coberto com um tecido azul.

Na cidade de Nikopol (sul), um bombardeio russo deixou dois mortos em um bairro residencial, afirmaram as autoridades.

Ainda que a maior parte dos combates nos últimos meses tenha ocorrido no Donbass, a Ucrânia vem recuperando lentamente territórios no sul.

Kiev e analistas militares atribuíram as vitórias à artilharia de longo alcance enviada pelas potências ocidentais.

De Moscou, Lavrov advertiu que se o Ocidente continuar entregando armas de longo alcance à Ucrânia, os alvos geográficos da Rússia podem mudar ainda mais.

"Não podemos permitir que, na parte da Ucrânia controlada por Zelensky ou seu substituto, se encontrem armas que possam ameaçar diretamente nosso território ou das repúblicas que declararam sua independência", ameaçou, em referência a Donetsk e Luhansk.

- Fechar Mikolaiv -O chanceler russo também afastou a ideia de manter negociações de paz com a Ucrânia e estimou que os contatos anteriores "só manifestaram a falta de vontade da parte ucraniana para discutir seriamente".

"Não tem sentido na situação atual", afirmou Lavrov.

Representantes da Rússia e da Ucrânia se reunirão nos próximos dias em Istambul para discutir o desbloqueio da exportação de grãos ucranianos através do mar Negro, mas não se sabe exatamente quando.

O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, expressou confiança de alcançar um acordo "esta semana".

Mikolaiv, a maior cidade sob controle ucraniano na zona sul do país, permanecerá fechada "um ou dois dias" nas próximas semanas para investigar pessoas que possam ter colaborado com os russos, afirmou o governador regional, Vitali Kim.

Kim já anunciou na quarta-feira uma recompensa de 100 dólares para quem ajudar a identificar colaboradores russos na região de Mikolaiv.

Este anúncio chega depois que o presidente Volodimir Zelensky demitiu vários funcionários de alto escalão acusados de não fazer o suficiente para deter espiões e colaboradores do Kremlin.

- Planos de emergência energética -No terreno econômico, a União Europeia aprovou um embargo de importações de ouro da Rússia e organiza um plano para reduzir em 15% o consumo de gás do bloco, com o objetivo de superar a redução das exportações russas, que até ano passado representavam 40% de seu fornecimento.

"A Rússia está utilizando o gás como arma. Em caso de uma interrupção total, a Europa terá que estar preparada", disse a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.

Em caso de "risco substancial de escassez grave e de demanda excepcionalmente elevada", se os esforços voluntários não foram suficientes, a Comissão quer ativar um mecanismo -com prévia consulta aos Estados-membros- que permitiria fixar "objetivos vinculantes de redução da demanda" para todos os países do bloco.

A UE também acordou uma série de medidas para completar os seis pacotes de sanções adotados desde que começou a ofensiva russa na Ucrânia, como congelar os ativos do banco russo Sberbank, e acrescentou à sua lista negra várias personalidades e entidades.

"As novas medidas permitiram alinhar a UE a seus aliados do G7, melhorar a aplicação da legislação e preencher as lacunas necessárias", afirmou a presidência tcheca da UE na Twitter.

bur-lpt/clr/blb/meb/jc/am

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