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UE quer cortar consumo de gás em 15% para reduzir dependência da Rússia

20/07/2022 16h19

Bruxelas, 20 Jul 2022 (AFP) - A Comissão Europeia propôs, nesta quarta-feira (20), um plano para reduzir o consumo de gás em 15% na União Europeia (UE), com o objetivo de compensar a queda da oferta russa.

Isso levaria a limitar o aquecimento de determinados edifícios, adiar o fechamento de centrais nucleares e incentivar as empresas a reduzirem suas necessidades.

Para se preparar para o inverno, o Executivo europeu elaborou um pacote de medidas que permitirá aos 27 países-membros lidar com uma possível interrupção do abastecimento russo, que constituía 40% de suas importações até o ano passado.

"A Rússia está usando o gás como arma. No caso de uma interrupção total, a Europa terá que estar preparada", disse a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.

O plano deverá ser discutido pelos Estados-membros da União Europeia. Prevê que cada país deve "fazer todos os esforços" para reduzir seu consumo de gás, entre agosto de 2022 e março de 2023, em ao menos 15% face à média dos últimos cinco anos no mesmo período.

Antes do final de setembro, os Estados terão de detalhar seus roteiros de ação para atingir esse objetivo. Alguns deles, como Finlândia e Holanda, já alcançaram essa meta.

O gasoduto Nord Stream, que transporta um terço do gás russo para a UE, está fechado desde 11 de julho para manutenção de rotina, que deve ser concluída nesta quinta-feira. Os europeus temem, porém, que Moscou continue a limitar o fornecimento. A Rússia já havia cortado as entregas do Nord Stream em 60% nas últimas semanas.

Nesta quarta-feira, o presidente russo Vladimir Putin acusou o Canadá de atrasar a devolução de uma turbina alemã do gasoduto Nord Stream, que passou por reparos em território canadense, para tentar vender seus próprios hidrocarbonetos no mercado europeu.

- Críticas de vários Estados -A Comissão quer a possibilidade de ativar um mecanismo de alerta - anterior à consulta aos Estados-membros - que permitiria estabelecer "objetivos vinculantes de redução da demanda" para todos os países do bloco em caso de "risco substancial de escassez grave ou de demanda excepcionalmente elevada", e se os esforços voluntários não forem suficientes.

Este plano, que será avaliado durante a reunião de ministros de Energia da UE em Bruxelas em 26 de julho, suscitou críticas de vários países, como Espanha e Polônia, e de círculos empresariais.

"Resistiremos à imposição de obrigações que estão acima, em termos de esforço, do que nos corresponde", declarou Teresa Ribera, ministra para a Transição Ecológica da Espanha, em coletiva de imprensa.

"A redução forçada da produção teria efeitos desastrosos e, inclusive, irreversíveis sobre as empresas", declarou Markus Beyrer, diretor-geral da organização que representa o empresariado europeu, Business Europe, que considera que estas medidas devem ser vistas como "uma opção em último caso".

- Sistema de 'compensações' - Apesar do aumento das importações de Noruega, Azerbaijão e Argélia, e da triplicação dos embarques de gás natural liquefeito dos Estados Unidos desde março, os europeus temem um inverno difícil.

Von der Leyen estimou que o consumo anual de gás na UE poderá ser reduzido em cerca de 43 bilhões de m³. A título de comparação, a Rússia forneceu cerca de 153 bilhões de metros cúbicos para os 27 países do bloco em 2020.

Em torno de 11 bilhões de m³ viriam de uma redução no aquecimento e no ar-condicionado em alguns edifícios.

Especificamente, Bruxelas pede aos países que adotem medidas vinculativas para limitar o aquecimento e o ar-condicionado em edifícios públicos e comerciais, "sempre que tecnicamente possível".

Também incentiva o uso de fontes alternativas para aquecimento urbano e recomenda o lançamento de campanhas de comunicação para pedir à população que baixe os termostatos em um grau neste inverno. De acordo com a Comissão, isso significaria uma economia de "até 10 bilhões de m³ de gás por ano".

Os "clientes protegidos" (hospitais, lares, serviços sociais, pequenas empresas) representam menos de 37% do consumo, motivo pelo qual a Comissão destaca as centrais elétricas e a indústria.

"A prioridade deve ser dada às energias renováveis, mas um passo em direção ao carvão, petróleo ou energia nuclear pode ser necessário temporariamente", reconheceu Bruxelas, que pede aos países que adiem seus planos de fechar usinas nucleares.

No caso da indústria, Bruxelas propõe um "sistema de ofertas" que dê "compensações" às empresas, contrabalançando uma queda do consumo.

Também recomenda a setores com pouca margem de manobra, como o químico, que reduzam sua demanda, progressivamente.

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