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Carlos Ghosn: Do que é acusado no Japão o titã dos automóveis

11/01/2019 12h20

Promotores públicos no Japão apresentaram novas acusações contra o ex-CEO da Nissan, o brasileiro Carlos Ghosn, detido desde novembro em Tóquio por suspeita de crime fiscal.

As acusações são de violação de confiança e de subnotificar sua renda como executivo da montadora japonesa às autoridades financeiras do país.

Ele já havia sido formalmente denunciado por ter supostamente declarado remuneração menor que a real durante cinco anos, entre 2011 e 2015.

Ghosn nega ter cometido qualquer infração. Nesta semana, em sua primeira declaração desde que foi preso, o brasileiro - que tem origem libanesa e cresceu na França - afirmou perante um juiz, em audiência realizada em Tóquio, ter "agido com honra, legalmente e com o conhecimento e a aprovação dos diretores da companhia" e disse ser inocente.

Seus advogados declararam ter solicitado sua liberação mediante o pagamento de fiança, mas especialistas dizem que o pedido dificilmente seria acatado pela Justiça.

As novas acusações devem manter o executivo de 64 anos na prisão até seu primeiro julgamento, ainda de acordo com a defesa.

Quais são as acusações?

Ghosn é acusado de ter subnotificado o valor de seu salário por outros três anos além daqueles que basearam a primeira denúncia.

Desta vez, pesa sobre ele ainda uma acusação ainda mais séria, de quebra de confiança, ofensa imputada em geral àqueles que ocupam altos cargos e se aproveitam da posição para cometer infrações.

O executivo, que esteve à frente da aliança entre as montadoras Renault, Nissan e Mitsubishi - que vende cerca de 10 milhões de veículos por ano e tem 500 mil funcionários -, é suspeito de usar a Nissan para encobrir perdas financeiras de investimentos pessoais no valor de US$ 17 milhões (cerca de R$ 63 milhões).

Ele é acusado ainda de fazer pagamentos equivalentes a US$ 14,7 milhões (aproximadamente R$ 55 milhões) ao empresário saudita Khaled al-Juffali usando recursos da Nissan em troca de uma carta de crédito que seria usada também para cobrir prejuízos com seus investimentos pessoais.

Ghosn foi detido pela primeira vez em 19 de novembro de 2018, para que fosse interrogado pelas autoridades japonesas, e teve a prisão prorrogada por duas vezes em dezembro.

Se considerado culpado, o executivo pode ser condenado a até 10 anos de prisão e ao pagamento de uma multa de até 700 milhões de ienes (cerca de R$ 24 milhões), conforme as leis japonesas.

Auditoria na Renault não encontrou indício de fraude

Pouco depois da prisão de Ghosn, as montadoras japonesas Nissan e Mitsubishi removeram-no da posição que ocupava nas empresas, de presidente do conselho.

A Renault, contudo, o manteve no cargo de CEO, alegando não ter encontrado qualquer indício de fraude fiscal.

Nesta quinta, o conselho da montadora francesa reiterou que uma investigação feitas nos pagamentos do executivo não registrou indícios de infração à lei.

"O processo de análise examinou as remunerações dos membros do atual comitê executivo do Grupo Renault nos anos fiscais de 2017 e 2018 e concluiu que elas estavam em conformidade com a legislação e não havia indícios de fraude", declarou a empresa em comunicado.

A montadora disse ainda que continuará examinando os pagamentos feitos ao executivo em anos anteriores.

Quem é Carlos Ghosn

https://www.youtube.com/watch?v=3Hdun3zKJxY&list=PLCX5XjxKTpTlOG7hZJQ_dPP0VeEjDEQWB&index=13&t=8s

O executivo nasceu em Rondônia, filho de pai libanês e mãe nigeriana.

Passou a primeira parte da infância no Brasil, mas saiu do país aos 6 anos, rumo à França, onde fez faculdade e começou a carreira. Foi funcionário da Michelin durante anos antes entrar para a Renault, em meados dos anos 1990.

Em 1999, quando já era um dos maiores executivos da montadora francesa, foi enviado ao Japão com a missão de recuperar a Nissan - naquela época, a Renault havia comprado 37% das ações da empresa.

O remédio aplicado pelo executivo foi amargo - 21 mil trabalhadores foram demitidos, o número de fornecedores foi reduzido e fábricas foram fechadas -, mas entregou em pouco tempo os números prometidos.

A trajetória de sucesso fez com que Ghosn virasse um titã da indústria automotiva e uma espécie de herói no Japão, retratado como protagonista de mangá, os quadrinhos do Japão, e até em pratos de bentô, uma espécie de marmita japonesa.


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