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Japão estimula o uso de células de combustível como fonte residencial de energia

Chisaki Watanabe

09/12/2014 16h55

9 de dezembro (Bloomberg) ? O Japão está se empenhando para fazer com a célula de combustível de hidrogênio o mesmo que fez com os chips de computadores e os carros no último século: reduzir custos para que eles se tornem mais atraentes para os consumidores.

Enquanto a tecnologia de células de combustível abre caminho em fábricas e edifícios comerciais, produtores japoneses, como a Panasonic Corp., estão trabalhando para torná-las pequenas e baratas o suficiente para o uso doméstico. O país traçou a meta de instalá-las em 5,3 milhões de casas até 2030, cerca de 10 por cento do total de moradias.

Com 100.000 já instaladas, as células de combustível residenciais combinam com a visão do primeiro-ministro de uma "sociedade de hidrogênio", que utilize o elemento mais abundante do universo como alternativa à energia nuclear e aos combustíveis fósseis. Os sistemas produzem energia através de uma reação química que também produz calor, que é capturado para levar água quente às casas.

"As células de combustível residenciais são uma arma potente para melhorar a eficiência energética", disse Chihiro Tobe, diretor de um departamento do Ministério da Economia, do Comércio e da Indústria encarregado de promover as células de combustível. "O uso de hidrogênio pode ajudar a economizar energia, lidar com questões ambientais e aumentar a segurança energética".

Depois de fechar dois reatores nucleares após o desastre ocorrido em 2011, em Fukushima, o Japão está colocando em prática décadas de experiência em reduzir os custos de fabricação para se tornar o principal mercado onde as células de combustível residenciais estão pegando.

Os sistemas, conhecidos genericamente no Japão como Ene-Farms, são mais ou menos do tamanho de uma geladeira e funcionam com hidrogênio extraído do gás municipal, fornecido através da tubulação já existente.

Eficiência energética

O uso mais amplo de células de combustível promete mudar o padrão do modelo de energia doméstica ao gerar eletricidade mais perto do lugar onde ela será consumida. É uma mudança em relação ao uso das gigantescas usinas geradoras, como os reatores de Fukushima que sofreram acidentes nucleares em março de 2011 depois que um tsunami atingiu as instalações.

Um resultado é o uso mais eficiente da energia, que pode reduzir as emissões de dióxido de carbono e ajudar Abe a cumprir suas promessas da luta global contra a mudança do clima. Representantes de mais de 190 países, incluindo o Japão, estão reunidos em Lima para uma conferência das Nações Unidas para reduzir o aquecimento global.

"O hidrogênio é a energia do futuro", disse o primeiro-ministro em um discurso de políticas para a Dieta, em 29 de setembro. "Desregulamos regras, concernentes a diversos ministérios, que obstaculizavam o desenvolvimento do hidrogênio. A sociedade do hidrogênio era um sonho, mas agora está prestes a se tornar realidade".

Início das vendas

O foco do Japão tem sido as células de combustível residenciais, que já estão disponíveis no país há vários anos. Os primeiros sistemas foram montados na residência oficial do primeiro-ministro em 2005, e, depois de projetos-piloto, as vendas comerciais começaram em 2009.

As vendas têm sido lentas, em parte porque os sistemas são caros. Depois de mais de cinco anos no mercado, os aparelhos estão instalados em apenas 0,2 por cento das casas japonesas. Um modelo vendido pela Tokyo Gas Co. custa cerca de 2 milhões de ienes (US$ 16.600).

A Organização para o Desenvolvimento de Novas Energias e Tecnologias Industriais, que promove a pesquisa e o desenvolvimento de novas fontes de energia, disse em relatório de julho que o mercado total para as células de combustível e a tecnologia de hidrogênio, incluindo os Ene-Farms e os carros movidos a hidrogênio, pode chegar a 1 trilhão de ienes (US$ 8,35 bilhões) por ano até 2030, e a 8 trilhões de ienes até 2050.

Os custos altos continuam, contudo, continuam sendo um problema, disse Ali Izadi-Najafabadi, analista da Bloomberg New Energy Finance em Tóquio. "O custo do aparelho deve ser reduzido significativamente", disse ele.

Os sistemas também requerem equipamentos adicionais, como unidades de armazenamento de baterias que custam mais de 600.000 ienes para que os sistemas funcionem em caso de blecaute.

No entanto, para um país como o Japão, onde as restrições de espaço limitam a quantidade de painéis solares que podem ser implementados, os apartamentos podem ser um mercado atraente para as células de combustível, disse Masami Hihara, funcionário do Ministério do Comércio.

"Mas elas precisam ser mais baratas e menores", disse ele.

Título em inglês: Japan Promotes Fuel Cell for Residential Power: Carbon Climate

Para entrar em contato com o repórter: Chisaki Watanabe, em Tóquio, cwatanabe5@bloomberg.net

Economia