Após vitória no xadrez, computador poderia decidir empréstimos

Gareth Allan, Komaki Ito e Shingo Kawamoto

(Bloomberg) - Depois de derrotar um especialista em xadrez japonês, a próxima tarefa desse programa de computador é descobrir se você vai conseguir pagar um novo empréstimo imobiliário.

A Heroz Inc., uma pequena startup japonesa cujos engenheiros criaram os primeiros sistemas de informática a derrotar um jogador profissional ativo de shogi, a versão japonesa do xadrez, disse que atualmente está trabalhando para adaptar essas aplicações à indústria financeira.

O Deep Blue foi o primeiro computador a vencer um jogador de xadrez, em 1997. No entanto, para derrotar um mestre de shogi o programa de computação precisa ser ainda mais complexo do que para ganhar no xadrez tradicional. Isso se deve principalmente ao fato de que o número de movimentos possíveis é muito mais alto no xadrez japonês, mas as regras do shogi sobre a reutilização de peças perdidas são muito mais complicadas.

A Heroz espera que as lições aprendidas sobre como recriar o discernimento humano para ajudar seus computadores a ganhar uma partida de shogi possam ser usadas pelos bancos para analisar dados quando precisam decidir se os clientes são solventes, de acordo com o diretor financeiro da Heroz, Daisuke Asahara. "Algumas vezes os computadores consideram corretas coisas que os humanos julgam erradas", disse Asahara, ex-funcionário do setor de investimento do Goldman Sachs Group Inc., em uma entrevista no mês passado.

Ele disse que os testes mostram que os computadores da Heroz conseguem analisar de forma bem-sucedida uma enorme quantidade de dados, tanto das informações sobre depósitos e extrações dos clientes quanto das redes sociais, para ajudar os bancos a decidirem se devem conceder empréstimos. A empresa também está trabalhando com a Nomura Holdings Inc. para pesquisar se essa tecnologia pode ser utilizada para fazer projeções no mercado financeiro, disse Asahara.

Deep Blue

O computador Deep Blue, desenvolvido pela International Business Machines Corp., ficou famoso por ter sido o primeiro a derrotar um grande jogador de xadrez, em uma partida em 1997 contra Garry Kasparov, que na época era o campeão mundial. Como o shogi é mais complexo, foram necessários outros 16 anos para que o programa da Heroz conseguisse ganhar de um jogador profissional de shogi em atividade, com a vitória em 2013 contra Shinichi Sato.

Esses computadores avançados são capazes de empregar um tipo de discernimento para decidir qual dos trilhões de movimentos possíveis de um jogo de xadrez eles devem fazer, por meio de um processo de aprendizagem de máquina baseado em programação e em dados de partidas anteriores, de acordo com Ho-fung Leung, professor da Universidade Chinesa de Hong Kong especialista em inteligência artificial. Esse processo evita a necessidade de analisar obrigatoriamente cada movimento possível de xadrez, de acordo com Leung.

Complexidade do shogi

Há cerca de 10 elevado à potência 120 movimentos possíveis em uma partida de xadrez tradicional, mas esse número é pequeno se comparado com as possibilidades de um jogo de shogi: 10 elevado à 220 - o número um e 220 zeros -, de acordo com o site da Heroz.

Asahara não revelou o nome dos bancos com os quais a Heroz está trabalhando na análise das informações de crédito dos clientes. Contudo, o Órgão de Serviços Financeiros do Japão está tentando fazer com que os bancos se tornem mais ativos nesse campo e disse em dezembro que recomendará modificações jurídicas para agilizar o uso de tecnologias avançadas em finanças.

Os maiores credores do Japão, como Mizuho Financial Group Inc., já estão desenvolvendo serviços que utilizam a tecnologia de inteligência artificial, como o computador Watson, da IBM, principalmente na automatização de call centers, de acordo com o porta-voz do Mizuho, Masako Shiono.

A Heroz foi fundada em 2009 por Takahiro Hayashi e Tomohiro Takahashi, que trabalharam na japonesa NEC Corp. A companhia, que conta com 70 funcionários, desenvolve e comercializa jogos de shogi e xadrez para smartphones, que são a fonte dos dados utilizados em suas técnicas de aprendizagem de máquina.

A iniciativa da empresa na área de análise financeira contará com a ajuda da venda de participação na Heroz, por 100 milhões de ienes (US$ 837.000), para o Hifumi Incubation Fund no dia 28 de dezembro, disse Asahara. Ele disse que a Heroz usará o financiamento do Hifumi - um fundo japonês de startup - para investir em instalações, como servidores na nuvem, e para contratar mais engenheiros de computação.

 

 

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