Petróleo cai para quase US$ 30 por turbulência na China

Ben Sharples e Angelina Rascouet

(Bloomberg) - Os futuros do petróleo dos Estados Unidos em Nova York caíram para o valor mais baixo dos últimos doze anos. A turbulência nos mercados da China está empurrando o petróleo bruto para valores mais próximos de US$ 30 por barril.

O West Texas Intermediate chegou a recuar 5,5% na quinta-feira (7) por causa do temor de que a desaceleração econômica no maior consumidor de commodities do mundo esteja piorando. O banco central da China reduziu a fixação do yuan para o valor mais baixo desde março de 2011, o que desencadeou uma corrida para venda que provocou o fechamento das Bolsas chinesas. O petróleo Brent cairá para US$ 30 nos próximos dez dias, segundo a Nomura Holdings Inc., e o UBS Group AG prevê que um excesso de oferta empurrará os preços para valores ainda mais baixos.

"A maioria das pessoas provavelmente se surpreendeu com que os preços do petróleo tenham chegado a esse patamar", disse o CEO da Statoil ASA, Eldar Saetre, em uma entrevista de Oslo. "O petróleo poderia cair ainda mais, e isso só realça a incerteza".

O petróleo fechou em 2015 a maior perda em dois anos já registrada, já que a Organização de Países Exportadores de Petróleo abandonou efetivamente os limites à produção em meio ao excedente mundial da oferta. Os estoques em Cushing, Oklahoma, o ponto de entrega para o petróleo bruto de referência dos EUA, atingiram um recorde, e os estoques em todo o país continuam cerca de 100 milhões de barris acima da média de cinco anos, segundo dados da Administração de Informação de Energia dos EUA.

Preços

O WTI a ser entregue em fevereiro chegou a cair US$ 1,87, para US$ 32,10 por barril, o patamar mais baixo desde o dia 29 de dezembro de 2003, na New York Mercantile Exchange. Os preços estavam em US$ 32,86 por barril às 7h01, horário local. O contrato perdeu 8,3% nos três dias anteriores e fechou a US$ 33,97 na quarta-feira. A opção mais negociada no Nymex dava aos titulares o direito a comprar futuros para fevereiro a US$ 36, à frente dos contratos para vender WTI para esse mês por US$ 32 e US$ 30.

O Brent a ser entregue em fevereiro chegou a cair US$ 2,07, para US$ 32,16 por barril, na Bolsa ICE Futures Europe, com sede em Londres. O contrato caiu 6%, para US$ 34,23, na quarta-feira, o valor de encerramento mais baixo desde junho de 2004. A referência para a Europa tinha um ágio de 53 centavos em relação ao WTI.

A economia global engasgará neste ano porque a desaceleração da China está prolongando uma depressão nas commodities, disse o Banco Mundial na quarta-feira. O banco de desenvolvimento com sede em Washington reduziu sua previsão de crescimento para 2016 de uma projeção de 3,3% feita em junho para 2,9%, segundo seu relatório bienal Perspectivas Econômicas Mundiais.

Imunidade

O Banco Popular da China reduziu na quinta-feira a fixação do yuan em 0,51%, para 6,5646, a mais fraca desde março de 2011, o que também é um lembrete do corte feito em agosto que gerou turbulências nos mercados financeiros. O trading no CSI 300 Index foi suspendido depois que o índice afundou mais de 7%.

Os preços do petróleo têm ignorado quase totalmente acontecimentos geopolíticos nesta semana em meio ao excesso de oferta, que os protege contra possíveis perturbações, sendo que as tensões entre a Arábia Saudita e o Irã estão se intensificando. Nesta quinta-feira, o Irã disse que sua embaixada no Iêmen foi danificada por um ataque com mísseis da Arábia Saudita.

"Claramente, a preocupação econômica é um fator, mas não explica tudo", disse Dominic Schnider, diretor de commodities e câmbio para a região Ásia-Pacífico da unidade de gestão de patrimônios do UBS em Hong Kong. "Há um contexto fraco, porque o mercado tem excesso de oferta. Se os estoques continuarem se acumulando, o mercado não ficará contente, e se o mercado perder a paciência, então o próximo passo é um pouco abaixo de US$ 30".

 

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