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Detetive de pássaros investiga as perigosas colisões de aves com aviões

Alan Levin

  • Diego Vara/Agência RBS

(Bloomberg) - Em um armazém sombrio sob o Museu Nacional de História Natural do Instituto Smithsonian em Washington, uma das investigadoras avícolas mais proeminentes do mundo está tentando resolver um mistério.

Trabalhando com apenas o fragmento de uma pena preta encontrada depois que um jato se chocou com um pássaro na Califórnia, Carla Dove tenta identificar a qual espécie a pena pertence. Com base no tamanho e na cor, ela vai direto para o armário que tem uma águia-real preservada de 91 cm de altura.

"É um pássaro enorme", diz Dove. O peso médio de uma águia-real é de pelo menos 3,9 quilos, mais do que suficiente para destruir um motor ou abrir um buraco na fuselagem de um avião. Ela compara as penas pretas com o fragmento. Sem dúvida, a amostra coincide.

Perícias avícolas

Dove está recebendo com mais frequência essas perícias avícolas. Sete anos depois que um bando de gansos do Canadá obrigou um Airbus Group A320 da US Airways a pousar no rio Hudson, o número de casos de pássaros que colidem com aviões vem aumentando abruptamente.

Alguns defensores da segurança dizem que o governo não está fazendo o suficiente para impedir o que eles consideram uma catástrofe inevitável.

Colisões sobem 37%

As colisões entre aviões e pássaros de grande porte - que têm mais capacidade de danificar um avião - aumentaram 37% entre 2000 e 2014, o ano mais recente com estatísticas disponíveis, segundo uma análise de dados dos EUA feita pela Bloomberg.

Foram 284 ocorrências em 2014, o maior número desde que a Administração Federal de Aviação dos EUA (FAA, na sigla em inglês) começou a compilar registros em 1990.

Penas tiradas de aviões

Dove, uma ornitóloga forense com doutorado da George Mason University, vê isso todos os dias do escritório dela no Instituto Smithsonian, onde recebe penas e restos de pássaros recuperados de aviões e pistas de pouso e decolagem.

Em 2008, o laboratório de Dove recebeu 787 amostras da aviação civil. No ano passado, recebeu 3.412.

Normalmente, mesmo com poucos tufos de penas, Dove pode identificar pelo menos a classe do pássaro examinando-os com um microscópio. O Instituto Smithsonian atualmente tem uma biblioteca de DNA de espécies de aves para conseguir identificar a vítima só com amostras de tecidos.

Aves perigosas

A identificação da espécie pode ajudar as autoridades a orientar os esforços para apontar para determinadas populações de pássaros e desenvolver outras estratégias para diminuir os riscos.

"Para o setor, isso está se tornando normal", disse Dove. "É um risco aceito porque eles acreditam que não podem fazer nada a respeito. Estão redondamente enganados".

O governo reconheceu a ameaça. Novas regulamentações para proteger os aviões poderiam ser necessárias para combater os riscos, disse a FAA em um anúncio público feito no dia 25 de junho. "A ameaça dos impactos de aves aumentou, especialmente pelos pássaros de maior tamanho", disse a agência em um anúncio em que pedia sugestões à indústria.

Bando de gansos

De 2012 a 2014, ocorreram 305 casos nos EUA em que aves causaram danos "significativos" a um avião comercial, segundo os registros da FAA.

Em 2014, por exemplo, um avião da Southern Airlines colidiu com um bando de gansos do Canadá enquanto se preparava para aterrissar no aeroporto internacional Thurgood Marshall de Baltimore-Washington.

O modelo 737-700 da Boeing foi atingido no nariz, na asa esquerda e em ambos os motores. Os pilotos aterrissaram com segurança, mas os passageiros informaram que o motor direito estava em chamas quando o avião se aproximava da pista.

Desvio de rotas

Alguns defensores da segurança dizem que a FAA deveria se empenhar mais, talvez deter voos quando houver muita atividade de aves e retraçar as rotas de voos para evitar áreas conhecidas como perigosas.

Em seu escritório no Instituto Smithsonian, Dove relembrou no mês passado os casos graves recebidos por ela na quinzena mais recente, inclusive colisões com aviões em Las Vegas, Denver e Kansas City.

"Nem sequer sei o que dizer", diz ela. "Temos sorte?"

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