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Argentina quer US$ 20 bi em investimento em 2016, diz Macri

John Micklethwait e Katia Porzecanski

  • Victoria Egurza/Telam/Xinhua

(Bloomberg) -- O presidente argentino Mauricio Macri defendeu em Davos um ganho potencial de US$ 20 bilhões em investimento estrangeiro neste ano, em setores desde energia a infraestrutura, já que tenta convencer investidores globais de que desta vez as coisas serão diferentes para a Argentina.

"A Argentina decidiu ocupar seu lugar no cenário global", disse Macri em entrevista à agência de notícias Bloomberg News nesta sexta-feira (22) no Fórum Econômico Mundial, em Davos, Suíça.

"Precisamos que empresas importantes do mundo financiem e construam estradas, portos, hidrovias, energia, trens. Somos um país enorme que atualmente depende apenas de caminhões. É impossível".

O presidente de 56 anos, que assumiu em 10 de dezembro após administrar a cidade de Buenos Aires por oito anos, já conseguiu uma promessa de investimento de US$ 1 bilhão da Coca-Cola e "centenas de milhões de dólares cada uma" da Total, Shell e Dow Chemical em Davos, disse ele à Bloomberg na quinta-feira em outra entrevista.

Hoje, ele adicionou a BP à lista, dizendo que a empresa prometeu investir na formação de Vaca Muerta, que faz parte da segunda maior reserva de gás de xisto do planeta.

Primeiro mês

Os investimentos surgem após Macri cancelar os controles de capitais que durante vários anos limitaram a repatriação de dividendos das empresas -- todas elas atualmente com operações no país.

Em seu primeiro mês no cargo, Macri desvalorizou o peso, cancelou a maior parte das restrições de capital e de comércio, começou a reformular a agência de estatísticas e iniciou negociações com os credores insatisfeitos do calote de 2001 do país.

O governo quer um acordo com os chamados credores "holdout" (resistentes)" já e retomará as negociações em 1º de fevereiro com a meta de chegar a uma solução para destravar outros possíveis investimentos, disse ele.

"Iremos no dia 1º com toda a nossa vontade de encontrar uma saída na Justiça para uma solução realista e razoável com os holdouts", disse Macri.

"Eles têm o direito de reclamar sobre algumas coisas. Nós não aceitamos o nível de penalidade decidida pelo juiz, mas queremos discutir isso. Nós queremos acabar com todos os nossos conflitos do passado".

O investimento estrangeiro potencial a entrar no país quando o litígio estiver resolvido é "enorme", disse Macri. "A Argentina é talvez uma das melhores alternativas para os investidores nos próximos 10 anos".

As reservas internacionais da Argentina, após atingirem o menor valor em nove anos se recuperaram para US$ 25,4 bilhões depois que Macri cancelou os controles cambiais, e subirão ainda mais com um empréstimo de um grupo de bancos que deverá chegar na semana que vem, disse Macri.

O empréstimo, que seria respaldado por títulos em dólares mantidos pelo banco central, será entre US$ 4 bilhões e US$ 6 bilhões, segundo o ministro das Finanças, Alfonso Prat-Gay.

Além disso, Prat-Gay disse nesta semana que a Argentina está disposta a permitir a realização de uma avaliação da economia pelo Fundo Monetário Internacional, com base no Artigo IV, pela primeira vez desde 2006.

O Departamento de Tesouro dos EUA disse na quinta-feira que vai encerrar sua oposição aos empréstimos para a Argentina de bancos multilaterais de desenvolvimento com base nas medidas que estão sendo adotadas pelo novo governo.

Visita de Obama

Em meio às reuniões em Davos com executivos do Facebook, Alphabet, Microsoft e Louis Dreyfus, o presidente argentino se encontrou com o vice-presidente dos EUA, Joseph Biden, e discutiu maneiras de melhorar as relações, incluindo uma possível visita do presidente Barack Obama à Argentina neste ano, segundo Macri.

Macri, que anteriormente administrou um dos times de futebol de maior sucesso do país, o Boca Juniors, disse que trabalhará com o novo presidente dos EUA, não importa quem seja. O presidente argentino disse que Donald Trump, que ele conheceu quando tinha 24 anos durante negociações realizadas quando trabalhava para seu pai em Nova York, é um "cara muito peculiar".

"Ele foi um negociador duro", disse Macri. "Algumas de suas propostas são um pouco extremas, na minha opinião, mas isso faz parte do debate democrático".

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