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BTG planeja manter negócio de commodities, diz Pérsio Arida

Katia Porzecanski, Cristiane Lucchesi e Ambereen Choudhury

(Bloomberg) -- O Grupo BTG Pactual, banco de investimento que está vendendo ativos para levantar dinheiro, planeja manter negócios do core business que estão entre os mais rentáveis: commodities, gestão de ativos e de fortunas, banco de investimento, Sales & Trading, e corretora.

"O banco como um todo não está à venda", disse Pérsio Arida, chairman da empresa com sede em São Paulo, em entrevista no Fórum Econômico Mundial, em Davos. "Vamos manter o core business." A chamada área de Principal Investments, que inclui tesouraria proprietária, private equity e real estate será menos relevante, disse Arida.

O BTG vendeu ativos e garantiu uma linha com o FGC em um esforço para manter a liquidez após a prisão do então presidente André Esteves, em novembro, em conexão com um escândalo de corrupção. As ações da empresa perderam mais de metade de seu valor desde então, e seu título de dívida mais negociado caiu para cerca de 75 centavos de dólar, em comparação com 90 centavos.

"Estamos desalavancando o banco, e confiança naturalmente leva algum tempo para voltar", disse Arida. "A situação se estabilizou, mas nós queremos estar em uma posição muito confortável já que leva algum tempo para recuperar os níveis de confiança que as contrapartes tinham antes."

Esteves, que foi transferido da prisão para prisão domiciliar no mês passado, negou qualquer irregularidade por meio de seus advogados. O BTG disse que não é parte da investigação.

Resultados preliminares

A receita da unidade de Sales & Trading, que inclui commodities, renda fixa e câmbio, quase duplicou no ano passado, subindo de R$ 2,83 bilhões em 2014 para R$ 5,21 bilhões em 2015, de acordo as demonstrações trimestrais não auditados divulgadas em 19 de janeiro pela instituição. A área de Principal Investments teve R$ 1,18 bilhão em perdas em 2015, depois de uma receita negativa de R$ 485 mi em 2014.

O lucro líquido não auditado subiu para R$ 1,23 bilhão, ou R$ 1,34 por ação, no quarto trimestre de R$ 848 milhões, ou R$ 0,94, um ano antes. Resultado acima da estimativa média de R$ 1,18 em uma pesquisa com analistas feita pela Bloomberg.

O BTG está em negociações para vender seu banco suíço BSI para o EFG International AG, disse uma pessoa com conhecimento do assunto no início desta semana. O banco vendeu a Recovery ao Itaú, por R$ 640 milhões, e sua fatia na Rede D'Or São Luiz para o fundo soberano de Cingapura GIC Pte, por R$ 2,38 bilhões.

Sem pressa

"Não queremos vender ativos correndo porque isso comprometeria preço", disse Arida, acrescentando que "alguns ativos requerem mais due diligence, outros menos due diligence, e é natural que o processo de venda leve mais tempo".

O BTG quer pagar a linha de crédito do FGC "assim que nós pudermos, é claro, mas é muito difícil estabelecer um cronograma para isso", disse Arida.

A Allpark Empreendimentos, conhecida como Estapar, atraiu o interesse de investidores de private equity, pessoas com conhecimento do assunto disseram em dezembro. O negócio poderia atingir R$ 1,5 bilhão, duas pessoas separadas disseram na época.

"A estratégia é ser capaz de ter caixa suficiente para atender todas as nossas obrigações com vencimento nos próximos 12 meses, e estamos a 90 por cento do caminho até lá", disse Huw Jenkins, vice-presidente do BTG, na entrevista conjunta com Arida.

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