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BTG tem ações em alta, Esteves solto, mas mercado mantém cautela

Ney Hayashi e Paula Sambo

(Bloomberg) -- A crise e a volatilidade no Banco BTG Pactual se extinguiram tão rapidamente quanto surgiram. As oscilações diárias das ações do banco brasileiro já não superam regularmente os 10 por cento. Em um dia normal deste mês, o movimento fica mais próximo dos 3 por cento.

Em meio a essa nova calmaria, as ações da empresa subiram 24 por cento em relação à mínima histórica registrada em dezembro. Os motivos para a recuperação são bastante claros: a saída da prisão do bilionário fundador do BTG, André Esteves, diminuiu a preocupação a respeito do impacto negativo do escândalo de corrupção sobre o banco (a prisão de Esteves, em novembro, havia desencadeado a queda); e os executivos reuniram recursos suficientes para evitar uma queima de estoque com seus melhores ativos e, tão importante quanto, para gastar algum dinheiro sustentando os preços das ações e dos bonds do BTG.

E agora? Embora todos esses fatores possam trazer uma recém-descoberta estabilidade ao banco, eles não são suficientes para desencadear uma recuperação sustentada do preço das ações, segundo investidores e analistas. Eles dizem que, para que isso aconteça, o banco precisaria concluir suas vendas de ativos em breve -- e conseguir preços razoáveis por eles -- e também divulgar os resultados completos do quarto trimestre para ajudar as pessoas de fora a avaliarem a abrangência do dano.

Sem isso, ou se houver outro acontecimento que recoloque o banco em modo de crise, este é o novo normal para o BTG: um preço de em torno de R$ 15 por ação e uma avaliação de um terço do pico registrado em 2013, quando era uma empresa bem-sucedida que ganhava força nos negócios longe dos bancos de Wall Street, que tradicionalmente dominavam o ramo de investment banking no Brasil e no resto da América Latina.

"Eles só vão ter uma chance de recuperação se o banco mostrar que vai conseguir vender bem seus ativos", disse Max Bohm, analista da Empiricus Research em São Paulo. "Tem ativos não tão bons que ainda estão à venda. Depois disso, acredito que eles vão focar mais naquilo em que eles são realmente bons, que é a gestão de recursos".

Nas semanas seguintes à prisão de Esteves, o BTG captou R$ 2,38 bilhões (US$ 573 milhões) vendendo sua participação na rede de hospitais Rede D'Or São Luiz para o fundo soberano de investimento de Cingapura. Fechou também a venda de sua empresa de gestão de ativos distressed para o Itaú Unibanco por R$ 640 milhões. E está negociando a venda de seu banco suíço BSI e de sua empresa de estacionamentos, conhecida como Estapar, disseram pessoas informadas sobre os esforços.

Em uma medida que o banco disse ser uma tentativa de oferecer transparência, nesta semana o BTG divulgou seu lucro preliminar pela primeira vez na história. O relatório mostrou que o lucro não auditado subiu 45 por cento no quarto trimestre em relação ao ano anterior e que as vendas subiram juntamente com a receita comercial. Os ativos sob gestão caíram para R$ 192,5 bilhões, contra R$ 230,5 bilhões no trimestre anterior.

Recompra de papéis

O BTG ajudou a apoiar o preço de suas ações recomprando os papéis. Entre a prisão de Esteves, em 25 de novembro, e o dia 30 de dezembro, a empresa adquiriu pelo menos R$ 565 milhões em ações, o equivalente a 14 por cento do fluxo livre de antes da prisão. Marcelo Kalim, que foi nomeado co-CEO após a saída de Esteves, disse em uma teleconferência, na terça-feira, que o BTG continuará com as recompras e as classificou como "um uso muito bom" de capital.

O BTG também recomprou um montante não revelado de seus bonds perpétuos nesse período, segundo seu balanco preliminar. O total de US$ 1,3 bilhão em notas subiu 75 por cento desde que atingiu o piso, em 9 de dezembro, estabilizando-se perto dos 70 centavos de dólar. Elas eram negociadas em cerca de 92 centavos antes da prisão.

A assessoria de imprensa do BTG preferiu não comentar o desempenho de suas ações e de seus bonds.

"Talvez daqui a uns anos eles sejam capazes de retomar o desempenho que eles tinham antes, mas por enquanto eu acho melhor ficar um pouco de fora", disse João Pedro Brugger, gerente de recursos na Leme Investimentos, que administra cerca de 500 milhões de reais em ativos. "Provavelmente existe muita coisa que ainda não são de conhecimento público sobre o caso, e, a curto prazo, eu não vejo um cenário de recuperação."

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