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Pemex levanta US$ 5 bi após governo sinalizar ajuda à cia.

Ben Bain

(Bloomberg) -- A Petróleos Mexicanos, a empresa petrolífera estatal que perdeu o montante sem precedente de US$ 10,2 bilhões no terceiro trimestre e foi ameaçada com outro rebaixamento só na semana passada, está demonstrando que ainda pode atrair investidores em bonds internacionais - com uma pequena ajuda do governo.

A produtora em dificuldades vendeu US$ 5 bilhões em notas com vencimento em três, cinco e dez anos na quinta-feira, um dia depois de o Ministro das Finanças, Luis Videgaray, ter dito que o México está cogitando injetar dinheiro na empresa. A venda significa que a Pemex, como a companhia é conhecida, já levantou metade do financiamento que planeja buscar nos mercados internacionais neste ano.

A notícia de que o governo poderia fornecer assistência financeira à Pemex reforçou a confiança dos investidores em uma empresa atingida pelo colapso nos preços do petróleo bruto e por onze anos consecutivos de declínio da produção, disseram a Seaport Global Holdings e o Banco Bilbao Vizcaya Argentaria. Videgaray fez seu comentário depois que a Moody's, que cortou as notas de crédito da Pemex em novembro, disse no dia 22 de janeiro que poderia voltar a rebaixar a nota.

"Foi bem orquestrado", disse Michael Roche, estrategista da Seaport Global, em relação ao momento escolhido para realizar a venda. As declarações do governo foram "um componente fundamental para a recepção das novas emissões".

Importância

Em um evento na quarta-feira na Cidade do México, Videgaray disse que a situação financeira da Pemex é de suma importância. Nesse dia, durante uma entrevista, o vice-ministro das Finanças, Miguel Messmacher, disse que o governo poderia injetar capital, mas que primeiro a Pemex precisa mostrar que pode reduzir custos, realizar melhores investimentos e acelerar parcerias com outras empresas.

"Estaremos avaliando a possibilidade de permitir certa mudança no balanço da Pemex ou de alguma contribuição em termos de capital", disse Messmacher.

Contudo, a venda não foi barata. A Pemex, com sede na Cidade do México, vendeu US$ 3 bilhões em notas com vencimento em dez anos com yield de 6,9 por cento, ou 4,91 pontos percentuais a mais que os títulos do Tesouro dos EUA. Quando a empresa emitiu notas com vencimento similar um ano atrás, ela pagou 2,81 pontos percentuais a mais que os títulos do Tesouro dos EUA.

Excesso de subscrição

Em um comunicado, a Pemex disse que a venda de dívida da quinta-feira teve demanda 3,5 vezes maior que a oferta. Assessores da empresa não responderam a pedidos de comentários sobre como as declarações feitas na quarta-feira pelo governo impactaram a transação.

A preocupação dos investidores com que talvez o México não apoie a Pemex tem aumentado desde que a empresa perdeu o monopólio de 75 anos há quase dois anos e acumulou perdas. O yield extra exigido pelos investidores para possuir bonds da empresa em vez de notas mexicanas quase dobrou nos últimos dois meses.

Apesar dos maiores custos de crédito, a venda de bonds da Pemex "foi uma boa transação", disse Jorge Unda, que administra US$ 35 bilhões como diretor de investimentos para a América Latina no BBVA na Cidade do México.

Os comentários do Ministério das Finanças deram "um voto de confiança", disse ele. "O apetite por risco do México e da Pemex existe, obviamente a um preço maior por causa de onde o petróleo está e pelo impacto sobre a indústria em nível global".

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