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Opinião: EUA deveriam mandar mensagem a Putin no Leste Europeu

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(Bloomberg View) - O novo orçamento do presidente Barack Obama é muito generoso com o Pentágono - a US$ 600 bilhões, é excessivamente generoso.

Mas uma proposta bem-vinda é quadruplicar os gastos militares no Leste Europeu e na Europa Central, para US$ 3,4 bilhões. Como uma mensagem para a Rússia e com o objetivo de aliviar os temores crescentes nos países bálticos que pertenciam à União Soviética, talvez seja um dinheiro bem gasto.

O nervosismo na Estônia, na Letônia e na Lituânia não se justifica.

O presidente russo, Vladimir Putin, cujo aventureirismo rendeu bons resultados na Síria e na Ucrânia, poderia começar a prestar atenção aos países bálticos em breve. E diversos relatórios - de dentro e de fora dos organismos militares - sugerem que uma presença militar maior dos EUA no Leste Europeu poderia fazer a diferença.

Sem dúvida, é improvável que Putin invada por terra um membro da Otan. Mais provavelmente, ele seguiria o roteiro da Ucrânia: reclamações duvidosas de opressão contra as consideráveis minorias étnicas russas do país, campanhas dissimuladas de propaganda e subversão, apoio financeiro a grupos separatistas, até infiltração com forças especiais não-uniformizadas - os chamados "homens de verde". Essa abordagem daria à Rússia uma capacidade plausível de negação ao mesmo tempo em que lhe permitiria fincar o pé nos países bálticos.

O melhor modo de deter a beligerância de Putin é colocar uma presença militar no Leste Europeu suficiente para convencê-lo de que qualquer agressão estaria susceptível a uma séria represália encabeçada pelos norte-americanos.

Infelizmente, quando Putin olha para o ocidente, vê pouca coisa que o intimida. Os números das tropas do Exército dos EUA na Europa caíram de 200.000 para 30.000 desde o fim da Guerra Fria. Quase nenhum dos países europeus que fazem parte da Otan cumpre a meta da aliança de gastar pelo menos 2 por cento do PIB em Defesa. Os três países bálticos têm cerca de 10.000 soldados no total na ativa e não têm verdadeiras forças aéreas nem navais. E, embora a aliança do Atlântico tenha avançado para o leste do norte do mar Báltico para a Romênia e para a Bulgária no sul, a maioria da infraestrutura militar continua no meio, no lado oeste da antiga Cortina de Ferro.

Mas a Rússia poderia levar 22 grupos táticos de batalhão para a região, além de cerca de 100.000 tropas. Também pode convocar um impressionante poder aéreo. Apesar da queda dos preços do petróleo e das sanções, os gastos militares russos aumentaram 21 por cento em 2015.

Como consequência da crise na Ucrânia, os EUA decidiram rotar uma nova equipe de combate de brigada armada, de cerca de 5.000 tropas, que entra e sai da região. O Pentágono posicionou de forma permanente equipamentos pesados para essa força. Também vem transferindo mais caças, bombardeiros e aeronaves de apoio para o local. Tudo isso poderia elevar o que está em jogo politicamente para uma agressão do Kremlin, mas não é muito em termos militares. O Ocidente precisa de uma força mais séria e permanente mais para o leste.

Existe um acordo não vinculativo de 1997 entre os EUA e a Rússia que diz que o Ocidente deveria evitar "o estacionamento permanente de forças de combate substanciais" dentro dos novos países-membros da Otan. Os russos violaram outros aspectos desse acordo na Ucrânia, embora os EUA tenham tomado cuidado para segui-lo ao pé da letra. Mas é hora de abandonar o caminho da nobreza moral.

Para começar, os EUA deveriam adicionar uma segunda equipe de combate de brigada armada e uma delas, ou ambas, deveria estar posicionada permanentemente na região. E mais equipamentos de apoio deveriam ser retirados da Alemanha e colocados na Polônia e nos países bálticos. Também deveriam ser enviadas mais aeronaves. Em resposta, com certeza a Rússia intensificaria suas próprias forças - mas isso é menos preocupante do que parece: como a Rússia já tem uma vantagem tão esmagadora no Leste Europeu, mais poder militar seria um exagero.

Acrescentar uma nova brigada permanente dos EUA no Leste Europeu sem dúvida não seguraria uma invasão russa a todo vapor durante muito tempo. Mas, como dissuasor estratégico, esse tipo de compromisso militar visível e flexível, faria muito para manter as ambições de Moscou afastadas. No longo prazo, é claro, os aliados dos EUA que fazem parte da Otan teriam que se empenhar mais. Mas os EUA também podem mandar uma mensagem a Putin por conta própria.

 

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