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Crédit Agricole sobe com dividendos em dinheiro e venda de ações

Fabio Benedetti-Valentini

(Bloomberg) -- O Crédit Agricole deu o maior salto em mais de quatro anos após informar que venderá participações em mais de trinta bancos regionais franceses para reforçar o capital e que buscará distribuir dividendos totalmente pagos em dinheiro.

A transação de 18 bilhões de euros (US$ 20 bilhões) aumentará a razão de common equity tier 1 do Crédit Agricole, um indicador da força financeira da instituição, para 11 por cento no início de 2016, um ano antes do planejado, disse o banco com sede em Montrouge, na França, em um comunicado na quarta-feira.

Também garantirá um dividendo totalmente pago em dinheiro já em 2016. No tocante ao ano passado, o banco pagará 60 centavos por ação e dará aos investidores a opção de receberem o pagamento em ações.

O CEO do Crédit Agricole, Philippe Brassac, 56, está reorganizando os laços financeiros com os bancos regionais franceses que controlam a maior parcela do banco e nos quais possui ações para liberar capital em razão da regulação mais rígida.

Pelo plano, os bancos regionais criarão um veículo para recomprar as participações de 25 por cento atualmente em posse do Crédit Agricole e o banco oferecerá um empréstimo de 11 bilhões de euros para financiar o negócio.

"Essa simplificação deverá dar tranquilidade", disse Marco Bruzzo, gestor de fundos em Paris da Mirabaud, que administrava cerca de 8,5 bilhões de francos suíços (US$ 8,6 bilhões) no fim de 2014 e possui ações do Crédit Agricole.

"As participações nos bancos regionais sempre foram difíceis de avaliar e a substituição delas por 18 bilhões de euros em dinheiro mostra que a capitalização de mercado atual subestima as outras atividades da empresa".

As ações chegaram a subir 16 por cento e eram negociadas a 9,64 euros às 15h48 em Paris. Este é o maior ganho intradiário desde outubro de 2011. Os papéis caíram cerca de 11 por cento neste ano, enquanto o BNP Paribas teve um declínio de 21 por cento.

A transferência oferecerá uma maior "flexibilidade financeira" tornando a estrutura e os resultados do Crédit Agricole mais transparentes, disse o presidente do conselho do banco, Dominique Lefebvre, a jornalistas em Paris.

O Crédit Agricole apresentou a operação ao Banco Central Europeu e à autoridade bancária francesa e teve uma "recepção muito favorável" desses supervisores, disse o vice-CEO Xavier Musca a jornalistas. O banco planeja concluir a transação no terceiro trimestre.

"O negócio é mais positivo do que se previa", disse Alex Koagne, analista do Natixis em Paris, que mantém uma classificação de compra para as ações. "É melhor para os investidores e é melhor para todos".

Lucro sobe

O plano do Crédit Agricole para dinamizar sua estrutura surge após uma iniciativa similar do Natixis. Em 2013, o banco decidiu vender 12 bilhões de euros em ativos nos bancos regionais franceses que formam sua empresa controladora, a Groupe BPCE. A operação permitiu ao Natixis melhorar sua razão de capital na época e também distribuir um dividendo excepcional aos acionistas.

A transferência reduzirá o lucro anual do Crédit Agricole em cerca de 470 milhões de euros, segundo os resultados de 2015, e adicionará cerca de 300 milhões de euros ao fluxo de caixa anual, disse Musca. O negócio reduzirá os lucros do Crédit Agricole por ação em menos de 9 por cento, disse o banco em seu website.

No quarto trimestre, o lucro líquido subiu cerca de 28 por cento, para 882 milhões de euros, superando a estimativa média de 707 milhões de euros de seis analistas consultados pela Bloomberg News.

Os lucros foram impulsionados pela receita maior do negócio de gestão de recursos, enquanto as provisões e os custos mais elevados reduziram o lucro do banco corporativo e de investimento.

O lucro da unidade corporativa e de investment-banking caiu para 50 milhões de euros, contra 227 milhões de euros um ano antes, porque as receitas dos empréstimos corporativos tiveram um declínio de 9,4 por cento.

As provisões para empréstimos inadimplentes na unidade subiram 37 por cento, para 112 milhões de euros, em parte por causa do dinheiro separado para um financiamento relacionado ao setor de energia, disse o banco.

A exposição do Crédit Agricole ao setor de petróleo e gás é de "uma qualidade bastante alta", sendo 84 por cento dela ligada a contrapartes com grau de investimento, segundo o banco.

 

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