Capital Group diz que volatilidade nos mercados deve continuar

Tom Redmond

(Bloomberg) -- Prepare-se para mais volatilidade nos mercados com a desaceleração da economia global e bancos centrais entrando no perigoso mundo das taxas de juros negativas, diz o Capital Group, que administra US$ 1,4 trilhão.

A turbulência provavelmente continuará e as taxas abaixo de zero e a deflação representam uma "ameaça real" no Japão e Europa, escreveu o Capital Group em uma nota a clientes nesta semana.

O risco de uma recessão nos Estados Unidos aumentou, diz a empresa, o que significa que o Federal Reserve provavelmente não elevará os juros em 2016.

Os investidores encontraram poucos lugares para lucrar neste ano porque a queda das ações, iniciada pelos temores em relação à economia da China e pela queda do preço do petróleo, se alastrou para as ações de bancos internacionais, para as moedas dos mercados emergentes e para títulos de rendimentos elevados.

Apesar desses três dias de ganhos de mais de 1% em quatro sessões, o índice Standard & Poor's 500 ainda está em queda de 6,2% no ano e os lucros das empresas que o compõem deverão cair pelo terceiro trimestre seguido.

"A grande questão é se a economia dos EUA sofrerá os problemas vindos de fora; teremos que ver", diz o relatório em declaração atribuída a Jim Lovelace, gerente de fundos do Capital Group. "Eu acho que o ambiente para os lucros corporativos nos EUA será desafiador em 2016".

Depois que a volatilidade em um indicador de ações globais subiu no mês passado e atingiu o nível mais elevado desde setembro, o Capital Group está recomendando aos seus clientes para que escapem dessa situação promovendo diversificação para todas as classes de ativos, inclusive títulos. 

O Capital Group era o sétimo maior gestor de ativos do mundo no fim de 2014, segundo uma pesquisa da P&I/Towers Watson.

A empresa, que tinha US$ 1,4 trilhão sob gestão no fim de dezembro, é uma investidora de longo prazo que tem entre seus produtos a American Funds, uma das maiores famílias de fundos mútuos dos EUA em termos de ativos.

Não está claro se os bancos centrais conseguirão evitar uma desaceleração econômica aguda e, além disso, suas medidas poderão provocar efeitos colaterais inesperados, segundo o relatório.

O índice MSCI World Bank caiu 17% neste ano quando o Japão entrou no clube das taxas negativas, que também inclui o Banco Central Europeu e vários países do bloco, porque os investidores temem que as políticas prejudiquem os lucros dos bancos.

"As economias da Dinamarca, Suécia e Suíça têm sido, de muitas maneiras, ajudadas pelas taxas negativas", diz o relatório, em declaração atribuída a Jens Sondergaard, economista do Capital Group para a Europa.

"Contudo, a adoção de taxas significativamente negativas poderia ter muitas consequências não intencionais como, por exemplo, desencadear a acumulação de dinheiro por pessoas físicas e até minar o modelo de negócio tradicional dos bancos".

O Capital Group vê uma chance crescente de que o aumento nos juros promovido pelo Fed (Federal Reserve, o banco central dos EUA) em dezembro não venha acompanhado por novas altas neste ano.

A empresa não é a única a pensar assim: os mercados futuros indicam uma chance de apenas 37% de o banco central americano aumentar os juros em 2016.

Integrantes da cúpula do Fed, incluindo a presidente do banco central americano, Janet Yellen, sinalizaram que precisarão de mais informações para avaliar se o crescimento mais fraco de países como a China e a queda nos mercados financeiros provocarão reflexos na economia dos EUA.

Apesar de todos os riscos, o Capital Group está longe de ser alarmista em sua perspectiva e diz que a chance de uma repetição da crise financeira de 2008 continua baixa. A economia dos EUA "avançará" de um jeito ou de outro, diz Lovelace.

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