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Mesmo com volatilidade, bancos demitem operadores de câmbio

Lananh Nguyen

(Bloomberg) -- Em um momento em que os bancos ao redor do mundo estão reduzindo os postos de trabalho em vendas e trading para tentar cortar custos, a sangria do mercado de câmbio aparece como uma das mais profundas e dolorosas.

Os 12 maiores bancos do mundo reduziram em 5 por cento a equipe de câmbio que atua na atenção ao cliente em 2015, estendendo uma tendência que os fez reduzir em mais de um quarto o número de funcionários no segmento de câmbio desde 2010, segundo a Coalition Development, uma empresa de pesquisa e análises para o setor financeiro, com sede em Londres. No ano passado, as demissões de operadores de câmbio superaram as do setor de ações, de finanças e assessoria corporativas e de renda fixa, moedas e negociação de commodities em geral.

O mercado de câmbio, que movimenta US$ 5,3 trilhões por dia, foi transformado pela mudança rumo à automação, algo que reduziu as necessidades de pessoal e coincidiu com o declínio dos volumes. A negociação de câmbio no Reino Unido e na América do Norte caiu mais de 20 por cento em outubro em relação a um ano antes, segundo os bancos centrais dessas regiões. O aumento de 19 por cento na receita impulsionado pela elevada volatilidade provavelmente não será suficiente para conter novos cortes nos próximos anos, segundo George Kuznetsov, da Coalition.

"A perspectiva para o número de funcionários vai de negativa para neutra", disse Kuznetsov, chefe de pesquisa e análises da Coalition, em entrevista no dia 19 de fevereiro. "A disparada da receita no ano passado não necessariamente fez os bancos mudarem de opinião em relação ao mercado de câmbio".

Choque na Suíça

Os bancos tiveram receitas mais elevadas com o câmbio pela primeira vez desde 2011, impulsionados por um aumento na atividade depois que o Banco Nacional Suíço assustou os mercados, em janeiro passado, abandonando seu limite cambial. As receitas com a venda e a negociação de moedas do Grupo dos 10 nos mercados à vista, de forwards e opções subiu para US$ 9,5 bilhões no ano passado, contra US$ 8 bilhões em 2014.

"Vimos um enorme aumento na volatilidade do câmbio relacionada ao franco suíço. Isso gerou oportunidades de negociação e, o que é mais importante, aumentou a atividade entre os clientes, ajudando a aumentar as receitas dos bancos no ano", disse Kuznetsov. "Parece haver sido realmente uma ocorrência pontual de volatilidade que impulsionou o aumento de desempenho".

Um indicador de volatilidade cambial do JPMorgan ficou em uma média de 10,08 no ano passado, maior patamar desde 2011.

O declínio de 5 por cento no número de funcionários do segmento de câmbio que trabalham no atendimento aos clientes contrasta com a queda de 1 por cento nos postos de trabalho de finanças e assessoria corporativas e com o declínio de 4 por cento nos empregos em renda fixa, moedas e commodities em geral. O número de empregos em ações permaneceu estável, segundo a Coalition.

Os bancos que decidiram realizar mais cortes nas mesas de câmbio provavelmente cederão participação de mercado e serão forçados a reduzir as atividades de alguns produtos ou mercados de câmbio, disse Kuznetsov.

Os 12 bancos incluídos na análise da Coalition foram: Bank of America, Barclays, BNP Paribas, Citigroup, Credit Suisse Group, Deutsche Bank, Goldman Sachs Group, HSBC Holdings, JPMorgan, Morgan Stanley, Société Générale e UBS Group.

 

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