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Cresce pressão sobre o BCE com menor perspectiva de inflação

Catherine Bosley e Jeanna Smialek

(Bloomberg) - Os preços ao consumidor da zona euro subiram menos do que o inicialmente estimado em janeiro, aumentando a pressão sobre o Banco Central Europeu para que tome medidas para sustentar a recuperação da região.

A taxa de inflação foi de 0,3 por cento, menos do que a de 0,4 por cento informada em 29 de janeiro, mostram os dados da agência de estatísticas da União Europeia na quinta-feira. Os responsáveis pelas políticas econômicas do BCE vão rever o pacote de estímulo em uma reunião de política monetária em 9 e 10 de março, quando também vão divulgar revisões nas projeções econômicas.

A queda das commodities e a desaceleração dos mercados emergentes liderados pela China estão pesando sobre o crescimento global e diminuindo a pressão sobre os preços. Isso está dificultando alcançar a meta de inflação de médio prazo do BCE de pouco menos de 2 por cento, apesar de medidas sem precedentes, incluindo taxas de juros negativas e um programa de compra de bonds no valor de 1,5 trilhão de euros (US$ 1,7 trilhão).

Embora a revisão não tenha sido grande, a fraqueza persistente "provavelmente fere as expectativas de inflação de longo prazo", disse Jean-François Perrin, estrategista de inflação da unidade de banco de investimento e corporativa do Crédit Agricole em Paris. "Isso significa claramente que o BCE não está cumprindo seu mandato no que diz respeito à inflação no momento."

O euro flutuou após o relatório e mudou pouco para US$ 1,1019 às 11h39 em Frankfurt.

Revisão completa

Apesar de que a inflação em janeiro foi ainda maior do que o 0,2 por cento registrado no mês anterior, os responsáveis pelas políticas econômicas disseram que a taxa pode ficar negativa nos próximos meses. O núcleo dos preços, que elimina componentes voláteis como combustível, subiu de 0,9 por cento em dezembro para 1 por cento anual no mês passado, segundo o Eurostat. Os custos de energia declinaram 5,4 por cento. Uma estimativa inicial para a inflação deste mês está programada para 29 de fevereiro

O membro do Conselho do BCE Jens Weidmann, que tem relutado em reforçar o estímulo até agora, disse na quarta-feira que é "evidente que a atual evolução dos preços justifica um profundo debate sobre a política monetária."

Embora observando que nenhuma decisão ainda não foi tomada sobre se são necessárias medidas adicionais, ele alertou que qualquer nova medida deve evitar ser contraproducente. Com os investidores avaliando um corte de pelo menos 10 pontos base na taxa de depósito, atualmente em menos de 0,3 por cento, cresce a preocupação de que um aperto sobre os lucros dos bancos vai dificultar os empréstimos. Algumas estimativas econômicas preveem que uma expansão do plano de compra de bonds iria levar a restrições de liquidez.

Mitigar os bancos

"Se através do efeito sobre, por exemplo, a estabilidade dos bancos nossas medidas produzirem o oposto do que queremos, então não seria inteligente realizá-las em primeiro lugar", afirmou Weidmann, que lidera o Bundesbank da Alemanha, em uma entrevista na Bloomberg TV em Frankfurt. "Temos que criar nossas medidas de forma a ter certeza de que são contundentes e eficazes".

O vice-presidente do BCE, Vítor Constancio, disse na semana passada que qualquer flexibilização deve "mitigar o efeito sobre os bancos". Ele se recusou a explicar o que isso pode significar. Os bancos centrais da Suíça e da Dinamarca estruturaram suas taxas de depósito negativas fornecendo isenções aos credores até certa quantia.

 

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