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Nokia vai cortar 14% da força de trabalho após fusão com Alcatel

Adam Ewing e Daniele Lepido

(Bloomberg) -- A Nokia vai reduzir seu quadro de funcionários em até 14%, com cortes de postos de trabalho em todo o mundo, como parte de um plano para economizar mais de US$ 1 bilhão por ano após a fusão com a rival fabricante de hardware de rede Alcatel-Lucent.

A empresa deverá eliminar de 10 mil a 15 mil postos de trabalho de um total de 104 mil, segundo pessoas familiarizadas com o plano, que pediram anonimato porque a informação não é pública.

Serão eliminados cerca de 1.300 empregos na Finlândia, disse a Nokia nesta quarta-feira (6), sem fornecer um número global. Uma quantidade um pouco maior de funcionários será demitida na Alemanha, disseram as pessoas.

Os sindicalistas vêm se preparando para os cortes desde o ano passado, quando o presidente Rajeev Suri estabeleceu a meta de reduzir os custos operacionais anuais em cerca de 900 milhões de euros (US$ 1,02 bilhão) em 2018 reduzindo produtos, serviços e cargos de vendas sobrepostos após a aquisição de US$ 18 bilhões.

Antes disso, ele recuperou a divisão de redes da Nokia, que estava em dificuldades, cortando custos e focando em contratos mais lucrativos de equipamentos e serviços.

Suri discutiu as medidas com representantes sindicais por meio de teleconferência nesta quarta-feira, disseram as pessoas informadas sobre o assunto. A empresa informou em um comunicado que se reunirá com os trabalhadores em cerca de 30 países nas próximas semanas.

"É cedo demais para discutir qualquer número de redução global porque só estamos iniciando agora os processos específicos por país e eles avançarão de acordo com a legislação e as práticas locais", disse a Nokia.

A Nokia se recuperou de perdas anteriores com o planejamento de cortes, divulgado em primeira mão pela agência de notícias Bloomberg.

As reduções também visam a ajudar a Nokia a lidar com um ambiente comercial desafiador em 2016 e com uma concorrência intensa da chinesa Huawei Technologies, disse uma das pessoas.

A Nokia, a Huawei e a sueca Ericsson estão enfrentando pressão por receitas em um momento em que as operadoras de telefonia celular começam a cancelar investimentos nas redes de telefonia de quarta geração.

O investimento global em estações de base 4G deverá cair 15% em 2016. Por essa razão, a Nokia e a Ericsson estão tentando cortar custos e procurando outros bolsões de crescimento nos ramos de softwares e serviços.

Os cortes são o problema mais recente do país de origem da Nokia, a Finlândia, que lida com uma delicada recuperação econômica e com um índice de desemprego persistentemente alto. A Microsoft cortou 2.300 postos de trabalho no país nórdico após comprar a divisão de telefonia da Nokia, em 2014.

A Nokia empregava 24 mil pessoas em 2000 na Finlândia quando dominava o mercado internacional de telefones celulares. O número caiu para cerca de 7.000 no ano passado após a venda para a Microsoft e os programas anteriores de redução de empregos.

As divisões de redes da Nokia e da Alcatel-Lucent mantêm cerca de 4.800 trabalhadores na Alemanha e de 4.400 na França e também contam com funcionários em cerca de 120 outros países.

A França evitará a maior parte das reduções, porque a Nokia tentará cumprir a promessa de manter cerca de 4.200 empregos no país, incluindo 2.500 em pesquisa e desenvolvimento, disseram as pessoas.

A Nokia prometeu ao governo francês preservar os empregos e manter a posição de importância do país em termos de inovação ao pedir aprovação para a aquisição.

"Este foi um jogo entre França e Finlândia", disse Pertti Porokari, presidente do Sindicato dos Engenheiros Profissionais da Finlândia, em um comunicado. "A Finlândia perdeu".

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