Isolux conta com venda de ativos no Brasil para reduzir dívida

Luca Casiraghi e Katie Linsell

(Bloomberg) -- Uma empresa de engenharia espanhola escapou da insolvência neste mês planejando impor prejuízos aos credores. Enquanto isso, o Grupo Isolux Corsan tenta evitar o mesmo destino.

A Isolux precisa realizar uma série de pagamentos a partir da semana que vem e cobrir os custos operacionais, enquanto um grupo de fornecedores exige o dinheiro devido. A Abengoa, que não consegue pagar sua dívida desde dezembro, conseguiu a aprovação de um juiz espanhol nesta semana para interromper todos os pagamentos até 28 de outubro em um momento em que tenta negociar uma reestruturação de suas dívidas e evitar transformar-se na maior falência corporativa da Espanha.

As empresas de engenharia e construção espanholas enfrentam dificuldades para honrar suas obrigações e reduzir seus negócios após uma década de projetos de expansão alimentados por dívidas ao redor do mundo. A Isolux, que tem sede em Madri, está tentando encontrar compradores para seus ativos brasileiros e para as instalações de energia solar enquanto espera pelo dinheiro da dissolução de sua joint venture com um fundo de pensão canadense.

"Há dúvidas quanto à capacidade deles de realizar os pagamentos na ausência de alienações de bens", disse Andrew Belton, analista da empresa de pesquisa independente CreditSights em Londres. "A Isolux está em uma posição de negociação frágil e isso torna qualquer tipo de transação ainda mais complicada".

Capital de giro

A Isolux contava com 174 milhões de euros (US$ 198 milhões) em caixa e equivalentes em setembro, 29 por cento a menos que no ano anterior, segundo os relatórios financeiros da empresa. Nos seis primeiros meses dos anos anteriores, a empresa investiu cerca de 150 milhões de euros em capital de giro no financiamento de projetos, disse a Fitch em fevereiro. A Fitch rebaixou a classificação da empresa para B-, seis níveis abaixo do grau de investimento, citando a falta de progresso em alienações e atrasos no recebimento.

A empresa precisa pagar cerca de 28 milhões de euros em juros de bonds em 15 de abril e cumprir um covenant em junho. Além disso, poderá ter de comprar a participação dos investidores em sua divisão solar por 75 milhões de euros no fim de maio, segundo Belton e Mariya Nurgaziyeva, analistas da CreditSights. Um funcionário da Corpfin Capital, empresa com sede em Madri que possui 11 por cento da unidade solar, preferiu não comentar se exercerá seu direito de exigir pagamento.

Uma porta-voz da Isolux não comentou imediatamente se a empresa planeja pagar o cupom dos bonds. Segundo ela, a empresa presume que a Corpfin usará sua opção, sem informar se a Isolux poderá efetuar o pagamento.

Dinheiro devido

Cerca de 80 fornecedores contrataram o escritório de advocacia Gesico, com sede em Madri, para cobrar mais de 3 milhões de euros em dívidas em atraso, segundo o diretor José Martínez. No total, a Isolux deve mais de 8 milhões de euros em pagamentos atrasados aos fornecedores, disse ele.

"A Isolux está gerenciando os pagamentos com seus fornecedores e está em contato constante com eles para obter informações detalhadas de cada caso com o objetivo de conciliar os números e as questões contratuais com o objetivo de pagar nossas contas", disse a porta-voz em resposta a perguntas, por e-mail.

As vendas de sua unidade T-Solar e de linhas de transmissão no Brasil, após a separação dos ativos de sua joint venture, "darão à empresa os recursos necessários para honrar seus compromissos com os fornecedores, impulsionar o crescimento da empresa, ganhar competitividade e reduzir as dívidas", disse ela.

A Isolux está tentando vender ativos após o cancelamento de um aumento de capital planejado para o ano passado. A empresa não conseguiu vender seus ativos brasileiros por cerca de 500 milhões de euros porque a desvalorização do real e a recessão do país limitam o interesse dos investidores internacionais, disse Maxime Kogge, analista da empresa de pesquisa de crédito Spread Research em Lyon, na França.

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