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Rebelião do CNA ganha fôlego e chances de queda de Zuma aumentam

Mike Cohen e Amogelang Mbatha

(Bloomberg) -- Uma rebelião contra o presidente sul-africano, Jacob Zuma, está ganhando força dentro do Congresso Nacional Africano, o partido da situação, gerando uma crise política e aumentando a possibilidade de deposição.

Os pedidos para que Zuma, 73, deixe a presidência, feitos por veteranos do CNA, pela Igreja, por organizações da sociedade civil e por líderes empresariais, se intensificaram desde que o Tribunal Constitucional decidiu, em 31 de março, que o presidente "não protegeu, defendeu ou respeitou a Constituição". Amiga do presidente, a família Gupta, investigada pelo CNA após as acusações de que ofereceram cargos em ministérios em troca de concessões, renunciou nesta sexta-feira a cargos gerenciais e a cadeiras em conselhos de empresas que controlam, alegando "um ataque político sustentado".

"O presidente Zuma tomou um rumo errado em vários aspectos", disse o advogado George Bizos, um dos amigos mais próximos do ex-presidente Nelson Mandela, a quem representou em seu julgamento por traição, em 1963, em entrevista por telefone, de Johannesburgo. "Não vou assinar a declaração de que o CNA é corrupto ou de que o partido não tem o interesse do país no coração. É responsabilidade do presidente Zuma, para benefício do partido que ele bem serviu por um longo período, renunciar".

A oposição a Zuma vem crescendo desde dezembro, quando ele demitiu seu respeitado ministro das finanças, Nhlanhla Nene, desencadeando uma forte queda do rand e dos bonds do país. No mês passado, a mais alta corte do país determinou que ele violou a Constituição por não devolver o dinheiro dos contribuintes usado em sua residência privada. O escândalo minou ainda mais a confiança em seu governo, que não consegue reanimar a economia estagnada e reduzir a taxa de desemprego de 25 por cento.

Embora Zuma diga que agiu de boa-fé e os principais líderes e parlamentares do CNA terem se alinhado a ele para derrubar um pedido de impeachment no parlamento, centenas de membros do partido se recusam a seguir o exemplo e exigem a renúncia ou a cassação do presidente.

Organizações religiosas

Entre os que pedem a saída de Zuma estão: o ex-ministro das finanças Trevor Manuel; Dennis Goldberg, que foi julgado junto com Mandela; Ben Turok, ex-responsável pelo comitê de ética do CNA; e Cheryl Carolus, ex-vice-secretária-geral do CNA, que trabalhou como alta comissária da África do Sul em Londres. Organizações religiosas, incluindo a Igreja Anglicana da África do Sul, a Aliança Evangélica e a Iniciativa de Liderança Cristã Sul-Africana, também apoiaram a campanha em prol do impeachment do presidente.

"Nosso primeiro prêmio é a renúncia do presidente", disse o bispo Ziphozihle Siwa, da Igreja Metodista da África do Sul, a repórteres, nesta sexta-feira, após reunir-se com autoridades do CNA. "O motivo pelo qual estamos pedindo a renúncia do presidente é que sentimos, no momento, que houve perda da confiança pública".

O homem mais rico da África do Sul, Christo Wiese, e o ex-colega de prisão de Mandela Ahmed Kathrada também pediram a renúncia de Zuma. Na quinta-feira, um grupo de 42 descendentes de algumas das famílias políticas de maior destaque da África do Sul defendeu uma reunião de emergência da conferência nacional do CNA para discutir a liderança do partido, dizendo que Zuma está prejudicando o legado do CNA.

Renúncia dos Gupta

Altos funcionários do CNA alegaram que uma rica família indiana, que é amiga e mantém negócios com o filho de Zuma, ofereceu a eles cargos ministeriais em troca de concessões comerciais. A liderança do CNA diz que está investigando essas acusações, negadas pela família Gupta.

A Oakbay Resources & Energy, empresa controlada pela família Gupta, disse que o presidente de seu conselho de administração, Atul Gupta, e o CEO Varun Gupta deixaram seus cargos após "um ataque político sustentado contra a empresa". O filho de Zuma, Duduzane, deixou o cargo de diretor da Shiva Uranium, uma unidade da companhia.

As renúncias ocorrem após uma decisão de associações de serviços financeiros, incluindo da firma de contabilidade KPMG, de cortar laços comerciais com a Oakbay e com outras empresas controladas pela família Gupta após crescentes críticas quanto à influência da família sobre o presidente.

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