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Gestores reduzem apostas em alta de preços do açúcar

Marvin G. Perez

(Bloomberg) -- Os investidores estão perdendo o gosto pelo açúcar.

Os gestores de recursos estão recuando em relação às apostas de aumento dos preços e as reduziram na semana passada pela primeira vez desde fevereiro. O clima favorável está acelerando a colheita no Brasil, o maior produtor e exportador do mundo. Isso está diminuindo o temor em relação à oferta em um momento em que a seca ameaça plantações em outras partes do mundo.

Os contratos futuros do açúcar bruto caíram 11% desde que tocaram o nível mais alto em 17 meses no fim de março.

Desde então, o real desvalorizado encorajou os produtores brasileiros a ampliar as exportações e a obter dólares em troca. Ao mesmo tempo, com os declínios no preço do etanol no país, as usinas têm mais motivos para transformar as plantações de cana em açúcar, e não no biocombustível.

"A moeda é responsável por grande, grande parte" da queda dos preços do açúcar, disse Lara Magnusen, gerente de portfólio da Altegris Advisors em La Jolla, Califórnia, que administra US$ 2,44 bilhões. "Se você colocou muito dinheiro no açúcar quando o produto estava em alta, este não é um mau momento para uma pausa, particularmente com a volatilidade do real".

Queda nas posições

Os hedge funds e outros grandes especuladores reduziram suas posições compradas do açúcar bruto em 7,2%, para 151.485 futuros e opções dos EUA, na semana que terminou em 5 de abril, mostraram dados da Comissão de Negociação de Futuros de Commodities dos EUA três dias depois.

As apostas vendidas deram um salto de 29%, o maior desde 2 de fevereiro.

Os futuros do açúcar bruto caíram 2% na semana passada, para 14,88 centavos a libra-peso, na ICE Futures U.S., em Nova York. Este foi o terceiro declínio semanal seguido.

A temporada de colheita no Brasil começou em 1º de abril e algumas processadoras começaram a colher antes para aproveitar os preços domésticos mais elevados do açúcar.

A colheita precoce mostra que o processamento de cana na região Centro-Sul, principal área de cultivo do país, provavelmente mais do que dobrou na segunda metade de março em relação ao mesmo período do ano passado, segundo cinco estimativas de analistas, usinas e corretores consultados pela agência de notícias Bloomberg.

A Unica deve divulgar as estimativas oficiais nos próximos dias.

O real perdeu 15% de seu valor frente ao dólar nos últimos 12 meses. Uma turbulência política e financeira sacudiu o país e os produtores rurais vêm vendendo o máximo de açúcar que podem para tirar vantagem da desvalorização da moeda.

Ameaças climáticas

Mesmo com as exportações do Brasil alguns analistas ainda projetam escassez de oferta nesta safra. O fenômeno El Niño mais forte em duas décadas reduziu a produção na China, na Índia e na Tailândia em meio ao clima seco.

Na semana passada, a empresa de pesquisa F. O. Licht, com sede em Ratzeburg, Alemanha, triplicou a projeção de déficit da temporada 2016-2017 para 4,9 milhões de toneladas. Ainda é menos que a escassez de 8 milhões de toneladas prevista para a temporada anterior, estima o grupo.

O que aumenta o temor em relação à produção é a possibilidade da mudança para um fenômeno climático La Niña neste ano, que poderia provocar um clima mais seco que o normal em algumas regiões de São Paulo e dificultar a produção da próxima safra, disse Artur Manoel Passos, economista e analista de commodities do Itaú Unibanco em São Paulo.

Ele foi o analista mais preciso em relação aos preços do açúcar no primeiro trimestre, segundo dados compilados pela Bloomberg.

Mesmo com as ameaças climáticas, "a menos que vejamos algum choque no mercado, os preços não atingirão os níveis vistos no fim de março", disse Passos em entrevista por telefone. "Os fundos estavam muito comprados e agora estão ajustando um pouco".

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