Empresas chinesas deixam de emitir US$ 5,4 bi em dívidas em abril

Lianting Tu e Molly Wei

(Bloomberg) -- O valor total das ofertas de títulos de dívida canceladas pelas empresas chinesas quadruplicou em abril em relação ao mesmo período do ano passado. Calotes dados por empresas estatais aumentaram os custos de financiamento.

Pelo menos 37 empresas chinesas adiaram ou cancelaram 35,2 bilhões de yuans (US$ 5,4 bilhões) em vendas planejadas de notas em abril até o dia 13, segundo dados compilados pela Bloomberg. No mesmo período do ano passado, nove empresas cancelaram 12,4 bilhões de yuans. Cerca de metade dos cancelamentos ocorreu nesta semana, depois que a estatal China Railway Materials interrompeu sua oferta de títulos, na segunda-feira.

"O risco de crédito está disparando com os calotes recentes, por isso o mercado está em pânico", disse Ji Weijie, analista de crédito da China Securities em Pequim. "Ninguém quer comprar títulos com notas baixas no momento. O incidente da China Railway Materials gerou o maior impacto recente no mercado porque a empresa tem classificação alta, AA+, e é 100% estatal".

O aumento do cancelamento de ofertas reflete o crescente temor em relação aos riscos de calote em meio à pior desaceleração econômica em 25 anos. Os yields de cinco anos sobre as notas corporativas locais com classificação AA- deram um salto de 27 pontos-base neste mês e caminham para o maior aumento em 13 meses. A Shanxi Jincheng Anthracite Mining Group cancelou uma venda de títulos de 2 bilhões de yuans na quarta-feira e a Shandong Heavy Industry Group retirou uma oferta de 1 bilhão de yuans em notas na terça-feira.

A China Railway Materials disse na quarta-feira que está procurando reestruturar sua dívida, aumentando o risco de que haja outro calote de uma empresa estatal depois que a Baoding Tianwei Group se tornou, no ano passado, a primeira empresa apoiada pelo governo a descumprir pagamentos de títulos onshore. A empresa interrompeu a negociação de um total combinado de 16,8 bilhões de yuans em títulos. A Sinosteel adiou um pagamento de dívidas anteriormente neste ano.

Pelo menos 62 empresas chinesas adiaram ou cancelaram 44,8 bilhões de yuans em vendas planejadas de notas em março, contra 23 empresas com 15,7 bilhões de yuans no mesmo mês do ano anterior, segundo dados compilados pela Bloomberg.

O Banco Popular da China reduziu a taxa básica de juros seis vezes desde 2014, impulsionando uma alta recorde no mercado de dívidas e contribuindo para um salto nas dívidas, para 247 por cento do produto interno bruto. O premiê Li Keqiang está tentando acelerar a expansão do terceiro maior mercado de notas corporativas do mundo em um momento em que as empresas chinesas enfrentam dificuldades para efetuar pagamentos. A emissão de títulos locais em yuans aumentou 66 por cento neste ano, para 2,9 trilhões de yuans.

A capacidade das empresas de capital aberto de honrarem sua dívida atingiu o menor nível na história. As empresas geraram um lucro operacional suficiente para cobrir apenas duas vezes as despesas de juros incidentes sobre suas dívidas, contra quase seis vezes em 2010, segundo dados compilados pela Bloomberg até 1992 de empresas não financeiras negociadas em Xangai e Shenzhen.

O aumento dos calotes de dívidas levou os investidores a procurarem as opiniões das agências de classificação internacionais, disse Kwong Li, chefe da Fitch Ratings para a Grande China. A agência poderá aumentar sua equipe em Xangai e Pequim de 31 para cerca de 60 em três anos.

"Quase não houve calote que tenha gerado prejuízo aos investidores na China", disse Li. "Os governos locais e outras partes relacionadas têm ajudado a resgatar as empresas inadimplentes. Mas no longo prazo veremos calotes que resultarão em prejuízos".

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