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Empréstimo em libras atinge menor patamar desde 2000 por Brexit

Selcuk Gokoluk

(Bloomberg) -- A emissão de empréstimos corporativos em libras atingiu o menor patamar em 16 anos porque as empresas de private equity adiaram fusões e aquisições à espera da decisão do Reino Unido sobre a permanência na União Europeia.

Neste ano, as vendas de empréstimos alavancados totalizarão 2,3 bilhões de libras (US$ 3,3 bilhões), 59 por cento a menos que no mesmo período de 2015 e o menor patamar desde 2000, segundo dados compilados pela Bloomberg. O Reino Unido é o maior mercado para empréstimos da Europa Ocidental e responde por mais de um terço das aquisições alavancadas da região, mostram os dados.

A incerteza quanto a uma possível Brexit e aos efeitos sobre a economia do Reino Unido estão retardando as aquisições, que são o maior motor de financiamento alavancado, juntamente com as preocupações a respeito da volatilidade das ações, da flexibilização dos bancos centrais e do crescimento mais lento na China. O presidente do Banco da Inglaterra, Mark Carney, e a diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional, Christine Lagarde, alertam que a decisão pela Brexit no referendo de 23 de junho poderá desencadear uma recessão, enquanto os defensores da saída dizem que impulsionaria o crescimento a longo prazo.

"É muito difícil avaliar uma empresa no momento, quando não se sabe que mudanças poderiam estar chegando", disse Oliver Haarmann, sócio-fundador da Searchlight Capital, a empresa de private equity criada por ex-executivos da KKR & Co. e da Apollo Global Management. "Muitos economistas estão dizendo que haverá recessão após a saída. É difícil investir em uma empresa se você acha que haverá recessão."

O risco de Brexit freia as fusões e aquisições no Reino Unido depois que os acordos atingiram a maior alta em oito anos em 2015. O volume de transações durante o primeiro trimestre foi 39 por cento menor que no mesmo período do ano anterior, o que o transforma no pior período de negócios desde 2010, segundo dados compilados pela Bloomberg. O número de acordos de empréstimo alavancados caiu para 11 neste ano, quase um terço da média para o período entre 2005 e 2015.

Os tomadores de empréstimos também enfrentam resistência dos investidores, que estão exigindo uma proteção maior para uma decisão a favor da Brexit. Em pelo menos um negócio de empréstimo alavancado os bancos buscaram acordos nos quais o tomador do empréstimo pagará margens mais elevadas se o Reino Unido decidir sair da UE, segundo duas pessoas familiarizadas com a venda, que pediram anonimato porque não estão autorizadas a discutir o assunto publicamente.

No mercado de títulos o HSBC está entre as empresas que citaram a Brexit como um risco potencial na documentação da venda de novas dívidas.

"A incerteza está impedindo os participantes do mercado de trazerem negócios ao mercado", disse Taddeo Vender, diretor-gerente da assessoria de dívidas Marlborough Partners. "As repercussões de uma Brexit em termos de moeda e impacto econômico são difíceis de quantificar de forma precisa."

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