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Refinarias independentes enfrentam desafio na China

Bloomberg News

(Bloomberg) -- No fim de fevereiro, o navio-tanque Jag Lok embarcou petróleo na Guiné Equatorial, na África Ocidental, e zarpou a caminho do porto chinês de Qingdao, porta de entrada para os mais novos compradores de petróleo do mundo, uma viagem de mais de 12.000 milhas náuticas (22,2 mil quilômetros).

Após chegar ao seu destino, no começo de abril, o navio se moveu em círculos durante 20 dias antes de ter uma chance de entregar sua carga. O motivo foi que o porto localizado na província de Shandong estava com dificuldades para atender o número recorde de navios que chegavam para abastecer as refinarias privadas chamadas de "bules de chá", que estão espalhadas pela região, mostram dados de monitoramento de navios compilados pela Bloomberg.

A fila de navios ilustra os desafios enfrentados pelas refinarias independentes, que surgiram como um ponto de luz devido ao aumento da demanda em meio ao excesso global. Segundo projeção da ICIS-China, as refinarias deverão adquirir um total combinado de 1 milhão de barris por dia de petróleo do exterior neste ano, contra 620.000 barris em 2015. Embora sejam pequenas individualmente, juntas elas respondem por quase um terço da capacidade de refino da China. Qualquer limitação às importações ameaçaria a recuperação do petróleo em relação ao menor valor em 12 anos, segundo o Nomura Holdings e a Samsung Futures.

"Se o recebimento de petróleo dessas pequenas refinarias perder força, o reequilíbrio entre a demanda e a oferta global por petróleo poderia levar mais tempo", disse Gordon Kwan, chefe de pesquisa do mercado asiático de petróleo e gás do Nomura em Hong Hong. "Se a demanda dessas refinarias for mais baixa, os preços do petróleo poderiam subir para apenas US$ 55 no ano que vem, em vez de US$ 60 por barril".

Se há apenas um ano dependiam das gigantes estatais de energia para suprirem suas necessidades de matéria-prima, as pequenas refinarias atualmente estão impulsionando as aquisições de petróleo da China depois que o governo permitiu que comprassem diretamente do exterior. Até o fim de fevereiro, 27 dessas empresas haviam recebido ou se candidatado a cotas de importação anuais que totalizavam 89,5 milhões de toneladas, ou cerca de 1,8 milhão de barris por dia, segundo Zhang Liucheng, presidente do conselho da federação de refinarias independentes para aquisição de petróleo da China, grupo formado por 16 processadoras.

A queda nas margens de refino em meio ao aumento dos estoques de combustível e ao salto dos preços do petróleo neste ano é outro possível fator amortecedor das aquisições das pequenas refinarias. O lucro da conversão do petróleo de Dubai, referência do Oriente Médio, em produtos de petróleo na Ásia estava em US$ 4,92 por barril no fim da semana passada, cerca de 34 por cento mais baixo que no fim de março, mostram dados compilados pela Bloomberg.

"A queda das margens provavelmente terá um impacto mais forte sobre as refinarias independentes da China e isso levará a menos importações de petróleo", disse Hong Sung Ki, analista sênior da Samsung Futures em Seul. "Isso resultará em uma revisão para baixo da demanda da China e inevitavelmente provocará um impacto negativo sobre os preços do petróleo".

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