Emissão global de títulos corporativos vai passar de US$ 236 bi

Claire Boston e Sally Bakewell

(Bloomberg) -- Maio está chegando ao fim como um dos meses mais agitados até o momento para a colocação de títulos corporativos no mundo todo. Investidores estão devorando dívidas corporativas com rendimento relativamente apetitoso em um ambiente global de juros negativos.

A emissão global de dívidas por empresas não financeiras passará de US$ 236 bilhões até o fim do mês, de acordo com dados compilados pela Bloomberg. O movimento foi liderado pela fabricante de computadores Dell, que vendeu US$ 20 bilhões em bônus para financiar a aquisição da EMC Corp., configurando a segunda maior oferta corporativa do ano. Na Europa, as emissões por empresas somaram 48,5 bilhões de euros (US$ 54,2 bilhões) e o volume já é o maior até hoje para um mês de maio. Johnson & Johnson e Kraft Heinz Co. estão entre as companhias americanas que realizaram operações de mais de 1 bilhão de euros.

Políticas monetárias relaxadas derrubaram para território negativo o rendimento de mais de US$ 9 trilhões em títulos. Porém, a disparada nas emissões dificilmente vai satisfazer investidores que esperavam aumentar seus ganhos com a compra de dívida corporativa. Globalmente, o rendimento adicional exigido pelos investidores para deter títulos corporativos em vez de títulos soberanos, considerados mais seguros, continua próximo do menor nível do ano. Já os prêmios em notas recém-emitidas caíram ao longo do mês.

"Continua havendo bastante demanda excedente pelas operações", disse Travis King, responsável por créditos com grau de investimento na Voya Investment Management, que supervisiona US$ 203 bilhões. "Está muito difícil conseguir os títulos, especialmente nas operações mais desejadas."

Desaquecimento em junho

No caso da emissão de títulos da Dell, os pedidos dos investidores passaram de US$ 80 bilhões. O quadro de escassez pode se agravar no mês que vem. A queda sazonal nas emissões e decisões por algumas empresas de antecipar colocações para maio sugerem que os volumes nos EUA em junho ficarão no intervalo de US$ 75 bilhões a US$ 85 bilhões, cerca de metade do total ofertado neste mês, segundo o Bank of America.

Vincent Murray, responsável por sindicalização de renda fixa para a Mizuho Securities USA, em Nova York, contou que o fluxo de novas operações manteve a equipe dele ocupada durante o mês todo. Embora a emissão de títulos deva ficar abaixo de US$ 100 bilhões em junho, algumas empresas podem aproveitar as taxas baixas nas próximas semanas para emitir dívidas, ele afirmou.

"O mercado suportou de forma notável a tempestade de ofertas", disse Murray. "O fato de o volume ofertado não ter afetado os spreads no mercado talvez atraia mais emissores que estavam pensando em desistir."

Na média, para deter títulos corporativos dos EUA em vez de títulos do Tesouro, os investidores estão exigindo rendimento 1,54 ponto percentual maior, de acordo com dados compilados pela Bloomberg. Em fevereiro, esse prêmio chegava a 2,21 pontos percentuais.

"Duvido que alguém tenha imaginado que o mês teria tantos negócios", disse Anne Daley, diretora-gerente de sindicalização de títulos com grau de investimento do Barclays, em Nova York. Para ela, os volumes em junho serão mais contidos porque as empresas evitarão colocar papéis em dias próximos da reunião do banco central americano e do referendo sobre a saída do Reino Unido da União Europeia.

Título em inglês: Companies Go on Worldwide Bond Bender With $236 Bilhões of Sales

Para entrar em contato com os repórteres: Claire Boston em N York, cboston6@bloomberg.net, Sally Bakewell em Londres, sbakewell1@bloomberg.net, Para entrar em contato com os editores responsáveis: Telma Marotto tmarotto1@bloomberg.net, Patricia Xavier

©2016 Bloomberg L.P.

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