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BCE reduz rendimento corporativo a 1% antes de compra de títulos

Sally Bakewell e Katie Linsell

(Bloomberg) -- Antes mesmo de iniciar seu programa de compras de títulos corporativos, na quarta-feira, Mario Draghi derrubou os custos dos empréstimos na Europa a níveis sem precedentes.

O yield médio sobre as notas de empresas com grau de investimento em euros caiu para 1,002 por cento na segunda-feira, segundo dados do índice do Bank of America Merrill Lynch. É o nível mais baixo em mais de um ano, muito próximo de menos de 1 por cento, algo que ocorreu apenas uma vez.

As empresas que se beneficiam com os custos de empréstimos mais baixos estão emitindo títulos a um ritmo crescente. Mais de 50 bilhões de euros (US$ 57 bilhões) foram vendidos na moeda única em maio, segundo mês mais movimentado da história. A Air Liquide, produtora francesa de gás industrial com grau de investimento, emitiu 3 bilhões de euros em títulos na segunda-feira, com apenas uma das cinco partes do acordo precificada com um cupom acima de 1 por cento, segundo dados compilados pela Bloomberg.

Para os investidores que procuram yields mais elevados o programa é doloroso, o que faz com que busquem retornos decentes pelo mundo. E agora que o Banco Central Europeu está expandindo seu programa de aquisição de ativos para incluir títulos corporativos juntamente com obrigações cobertas (covered bonds), títulos lastreados por ativos e dívidas soberanas, os investidores temem que a atuação do banco central force a saída deles e dificulte ainda mais a tarefa de encontrar rendimentos.

"O BCE está distorcendo o mercado", disse David Riley, que ajuda a administrar US$ 58 bilhões em ativos como chefe de estratégia de crédito da BlueBay Asset Management em Londres. "Existe um impacto associado à queda dos yields abaixo de 1 por cento".

Draghi, o presidente do BCE, vem sacudindo os mercados europeus de dívidas desde 2012, quando prometeu fazer "o que for necessário" para salvar o euro e apresentou um programa de compra de títulos chamado Transações Monetárias Diretas. Ele surpreendeu os mercados com uma redução da taxa de juros em novembro de 2013 e desde então diminuiu os custos dos empréstimos mais três vezes, levando a taxa básica do BCE para zero pela primeira vez na história, em março.

Os yields dos títulos corporativos de grau de investimento caíram para menos de 1 por cento pela primeira vez no ano passado, quando Draghi expandiu o programa de compra de títulos. Os rendimentos chegaram a 0,93 por cento em março de 2015 antes de subirem para 1,58 por cento em setembro. Esses patamares são menores que os de cerca de 4,5 por cento do auge da crise da dívida soberana, em 2011, e de 7,3 por cento em 2008, nível mais alto desde 1996, segundo os dados.

"A perspectiva de yields médios abaixo de 1 por cento é assustadora", disse Juan Esteban Valencia, estrategista de crédito do Société Générale em Paris. "Os investidores estão sendo empurrados para fora de sua zona de conforto, para setores como dívidas de alto rendimento, nos quais podem não ter expertise".

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