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Até que ponto Cunha é um risco para Temer?

Josué Leonel

(Bloomberg) -- A derrocada de Eduardo Cunha, evidenciada ontem no Conselho de Ética, oferece riscos para o governo de Michel Temer. A ameaça é que, caso Cunha perca o mandato e acabe preso, ele faça como muitos dos outros figurões implicados na Lava Jato e recorra a uma delação premiada. Nesse caso, o risco de todos os riscos seria o nome do próprio presidente interino ser citado.

A possibilidade de surgir alguma revelação comprometedora sobre Temer, vinda de Cunha ou qualquer outro implicado na Lava Jato, por ora, caracteriza-mais como uma grande incerteza do que um risco calculável. O PMDB está entre os partidos com mais nomes investigados, junto com o PT e o PP, e Temer é quase o único entre os principais peemedebistas até agora não alvejado diretamente.

"Este é o grande risco para o governo", diz Ricardo Ribeiro, analista político da consultoria MCM, sobre a possibilidade de o presidente interino ser citado. Mesmo que uma eventual delação de Cunha atinja muitos parlamentares, como já chegou a ser ventilado, o governo poderá sobreviver, ainda que enfrentando dificuldades devido à turbulência política, diz Ribeiro. "Enquanto Temer não for diretamente atingido pelas denúncias, o governo vai sobrevivendo".

Relatório do Citi também mencionou voto pela cassação de Cunha ontem no Conselho de Ética como mais incertezas para a administração de Temer. Eurasia escreveu em relatório que se Cunha for realmente cassado estaria disposto a cooperar com as autoridades para evitar a prisão, tornando-se um risco chave para a administração Temer.

Cunha negou em sua conta de twitter que tenha falado com alguém sobre delação até porque "não pratiquei crime e não tenho o que delatar".

Ribeiro considera que, até agora, não há evidências de que o declínio de Cunha possa comprometer a capacidade de Temer aprovar medidas no Congresso. O mais provável é que se mantenha o atual cenário de avanços lentos, diz o analista. Ou seja, as propostas seriam aprovadas, mas com mudanças negociadas com o Congresso, como tende a acontecer agora com a medida propondo teto para os gastos.

Para Ribeiro, as dificuldades enfrentadas por Temer no Congresso eram previstas e não devem surpreender o mercado, que vem mostrando uma visão "equilibrada" e evitando euforia com o novo governo. "Seria irrealista imaginar que o governo conseguiria aprovar todas as medidas rapidamente e sem negociar qualquer mudança", diz o consultor.

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