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Presidente do BOE muda de tática e passa a criticar Brexit

Lucy Meakin e Scott Hamilton

(Bloomberg) -- No início, Mark Carney parecia disposto a deixar o debate sobre a Brexit para outros.

No entanto, o que veio depois foi um ataque de intervenções verbais que transformaram o presidente do Banco da Inglaterra (BOE, na sigla em inglês) em alvo da ira dos defensores da saída e em uma figura fundamental na crescente campanha para o Reino Unido permanecer na União Europeia.

O ponto crucial da reviravolta foi a queda da libra em meio a um crescente coro internacional alertando sobre as consequências de deixar o bloco de 28 países. A mudança de tática de Carney começou no fim de fevereiro, quando as pesquisas mostravam uma recuperação a favor da Brexit, com o presidente se juntando ao ministro das Finanças do Reino Unido, George Osborne, em Xangai para uma reunião de colegas das 20 maiores economias do mundo.

"Por um lado, eles não queriam dizer nada", disse Danny Blanchflower, ex-membro do Comitê de Política Monetária do BOE. "Por outro lado, eles sentiam que tinham que fazer alguma coisa".

A que seria a pior semana da libra desde 2009 começou com uma divisão entre os conservadores no governo por causa da Brexit. Em 21 de fevereiro, um dia depois de o primeiro-ministro David Cameron marcar a data do referendo, Boris Johnson, um dos políticos mais importantes do partido, declarou-se a favor de sair da UE. Enquanto a moeda afundava, Carney preferiu evitar a discussão.

Bomba

Para o presidente e o ministro, a moeda é importante. Um enfraquecimento da libra aumenta a inflação e poderia elevar a pressão para que a política monetária seja ajustada antes do que seria seguro; e também poderia ser o prenúncio de graves problemas econômicos. A cotação mais baixa da libra foi de US$ 1,3836 em 29 de fevereiro, uma queda de cerca de 10 por cento desde o começo de novembro.

Em 8 de março, na esteira da queda da libra, Carney jogou a primeira bomba: uma saída seria "o maior risco doméstico para a estabilidade financeira", disse ele aos legisladores. Nove dias depois, o BOE disse que a incerteza crescente poderia deter investimentos e o crescimento.

Em abril, os comentaristas internacionais estavam ativos. O Fundo Monetário Internacional intensificou sua própria retórica e alertou que a Brexit poderia causar "grandes estragos regionais e globais" e a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico disse que uma saída seria "semelhante a um imposto porque imporia um custo persistente e cada vez maior" à economia.

Isso deu a Carney uma cobertura para ir mais longe. Em maio, o Relatório de Inflação trimestral do banco empregou quase cem vezes a palavra "referendo" e realizou uma tentativa sem precedente de eliminar o efeito sobre a libra. Na entrevista coletiva do dia 12 de maio, o presidente disse aos jornalistas que "um voto para sair da UE poderia ter efeitos relevantes sobre a taxa de câmbio e sobre o potencial de oferta e demanda" e que uma das consequências "poderia ser uma recessão técnica".

Reações negativas

Isso provocou mais reações negativas.

O legislador conservador Jacob Rees-Mogg acusou o presidente de comprometer a independência do BOE e disse que ele deveria ser demitido. O parlamentar Steve Baker perguntou se o antigo patrão de Carney, o Goldman Sachs, o havia encorajado a alertar sobre os riscos de uma saída da UE. Ele negou ambas as acusações.

"Tudo o que podemos fazer é prever a parte econômica com o que vamos vendo e nossas palavras e análises serão usadas por ambos os lados", disse Carney em sua última aparição no Parlamento antes da votação. "Essas são as regras do jogo".

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