Procura-se especialistas em reestruturação para China: Gadfly

Christopher Langner

(Bloomberg) -- Os mercados asiáticos tendem a imitar Wall Street. O último exemplo é a procura por especialistas em reestruturação de companhias em dificuldades. Isso vem ocorrendo nos EUA, apesar de profissionais de bancos de investimento passarem por cortes a torto e a direito, conforme reportagens da Bloomberg News.

O mesmo ocorre do outro lado do Oceano Pacífico, onde está por vencer uma quantia recorde de dívida de alto rendimento e não há gente suficiente para ajudar essas empresas em apuros a virar a mesa.

O mercado doméstico da China terá uma quantia de vencimentos sem precedentes de 2,2 trilhões de yuans (US$ 341 bilhões) no segundo semestre. A Ásia como um todo tem US$ 8 bilhões em dívida offshore de grau especulativo para pagamento neste ano, número que vai quase dobrar no ano que vem e triplicar em 2019. E tudo isso enquanto as taxas de juros globais sobem e as moedas locais se desvalorizam.

É o lado perverso do ciclo de juros. Todo o dinheiro levantado quando estava barato captar geralmente tem de ser pago quando está caro. A menos que não precisem refinanciar suas obrigações, muitas empresas acabam se reestruturando. Quando o número de vagas dos bancos de investimento nas áreas de emissão de dívidas diminui, aumenta o número de postos abertos para quem souber ajudar na reestruturação de empresas. Às vezes, são as mesmas companhias assistidas pelos bancos na venda de dívidas. A Ásia acabou de entrar nessa fase do ciclo.

Está mais difícil cavar dinheiro. A agência de classificação de risco Moody's afirmou em abril que seu Índice de Estresse de Liquidez na Ásia atingiu 34,2 por cento, o maior nível desde março de 2009. O indicador recuou em maio, principalmente porque empresas com os piores índices de liquidez pediram para serem retiradas das avaliações públicas da Moody's.

A Ásia não está preparada para lidar com um aperto de crédito. Nos últimos seis anos, com poucas e notáveis exceções, houve pouquíssimos episódios de reestruturação. Assim, muitos especialistas se aposentaram ou migraram para outros mercados. Importar profissionais não adianta. As leis de falência na Ásia são únicas. É essencial compreendê-las e saber navegar o sistema jurídico local. Alguns bancos de investimento mais ativos estão treinando gente. Sob a orientação de decanos ainda atuantes, estão preparando sangue novo para assumir o número crescente de companhias necessitadas de reestruturação.

Esse investimento com certeza terá retorno. Haverá número suficiente de empresas em crise na região para manter todos empregados.

Esta coluna não reflete necessariamente a opinião do comitê editorial da Bloomberg LP e seus proprietários.

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