Hedge funds veem lucros em ondas de choque pós-Brexit na Europa

Nishant Kumar

(Bloomberg) -- Gerentes de hedge funds estão pressentindo uma oportunidade.

Após suportarem os piores retornos para um primeiro trimestre desde o começo da crise financeira, a perspectiva de que o Reino Unido vote por abandonar a União Europeia está criando o tipo de turbulência no mercado que pode fazer com que eles ganhem dinheiro.

À medida que ondas de choque reverberarem pela região nas próximas semanas e nos próximos meses, os indicadores de volatilidade poderiam dobrar e as oscilações cambiais refletiriam uma turbulência nos mercados vista pela última vez quando a Lehman Brothers Holdings colapsou em 2008, segundo Stephen Issacs, da Alvine Capital Management em Londres.

Um voto pela saída aumentará "exponencialmente" a probabilidade de que a UE se desmembre, o que desencadeará oportunidades à medida que ativos de toda a região forem reprecificados, disse Luke Ellis, presidente da Man Group.

"O impacto irá muito além do que todos estão falando", disse Ellis, cuja empresa administra US$ 78,6 bilhões como a maior gerente de hedge funds de capital aberto do mundo. "Se a Brexit de fato vencer a votação, os efeitos secundários e terciários é que são muito mais interessantes da perspectiva de investimento".

Críticas

O setor de hedge funds, de US$ 2,9 trilhões, foi criticado por instituições e investidores porque muitos fundos não conseguiram proteger seus clientes da volatilidade. A quantidade de fundos que fechou foi maior do que o número de fundos que abriram nos primeiros três meses do ano, o segundo trimestre consecutivo em que os fechamentos superaram as aberturas, segundo dados publicados pela Hedge Fund Research.

O Volatility Index da Bolsa de Opções de Chicago subiu cerca de 21 por cento neste mês. A libra caiu para a cotação mais baixa em mais de dois meses frente ao dólar na semana passada, depois que pesquisas de opinião mostraram que a campanha para que o Reino Unido abandone a União Europeia está à frente.

A moeda se recuperou mais de 2% ontem, depois que uma pesquisa publicada no fim de semana colocou a campanha pela permanência na liderança. Na semana passada, o CEO da Axa, Henri de Castries, disse que há uma probabilidade "extremamente alta" de que o Reino Unido opte por abandonar a UE.

Mercado 'complacente'

"O mercado tem sido muito complacente quanto à Brexit", disse Deepak Gulati, fundador da Argentière Capital, que administra cerca de US$ 2,5 bilhões. "Sem dúvida, acreditamos que esse seria um acontecimento importante, que poderia ter mais ramificações e provocar uma implosão da União Europeia em breve".

Gestores de recursos consideram que a vitória da Brexit será particularmente ruim para o sul da Europa, porque os investidores colocarão à prova os elos fracos, como o setor financeiro de Portugal, da Itália e da Espanha.

O índice EURO STOXX Banks caiu quase 9% neste mês. As ações do Banco Comercial Português recuaram 30 por cento, as do Banco Popolare caíram quase 13% e as do UniCredit perderam mais de 13%.

Os investidores em dívida estão correndo para cobrir suas exposições. O custo da proteção contra perdas no mercado de derivativos de crédito disparou para o valor máximo em mais de três meses na quinta-feira porque os investidores compraram quase o triplo da quantidade média de seguros contra calote.

"É difícil ter convicção nesse tipo de ambiente, mas as pessoas podem dizer com tranquilidade que haverá certa volatilidade e elas poderão encontrar um modo de monetizar isso", disse Kevin Lyons, gerente sênior de investimentos da Aberdeen Asset Management que administra cerca de US$ 11 bilhões em ativos de hedge funds.

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