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China tenta se livrar de calotes de dívidas de curto prazo

Bloomberg News

(Bloomberg) -- O tempo está acabando para as empresas chinesas viciadas em dívida de curto prazo.

Cerca de 47 por cento dos 4,3 trilhões de yuans (US$ 654 bilhões) em títulos denominados em moeda local que foram vendidos por empresas chinesas de fora do setor bancário em 2016 vão vencer em um ano ou menos, mostram dados compilados pela Bloomberg. Dez das 17 notas onshore que deram calote neste ano tinham vencimentos curtos assim, em comparação com uma em sete em todo o ano de 2015. Enquanto os bancos tentam manter as empresas zumbi vivas, as obrigações com vencimentos curtos, como empréstimos, equivalem a 86 por cento do total, em comparação com 40 por cento globalmente, mostra uma análise das 3.000 maiores empresas de capital aberto da China feita pela Natixis.

"Os prazos frequentes dos títulos com vencimento de curto prazo estão dando uma dor de cabeça enorme aos investidores", disse Qiu Xinhong, gestor de recursos em Shenzhen da First State Cinda Fund Management, que administra 10,9 bilhões de yuans em ativos. "Há uma grande quantidade de empresas em problemas que dependem de novos empréstimos de curto prazo para prolongar os vencimentos da dívida ou até para pagar juros".

As empresas chinesas que pagam as obrigações existentes por meio da emissão de novos títulos nunca foram uma ameaça tão grande para a segunda maior economia do mundo, porque o recorde de 1,1 trilhão de yuans em notas de um ano ou menos vencerá de julho a setembro, mostram dados compilados pela Bloomberg. Uma queda no mercado de títulos em abril fez com as vendas de notas promissórias de 12 meses caíssem para 170,5 bilhões de yuans neste trimestre, o nível mais baixo em quatro anos. As empresas chinesas descartaram ou adiaram as vendas de 117,3 bilhões de yuans em notas com prazo de um ano ou menos.

"Muitos emissores de títulos na China são mutuários Ponzi, que dependem de dívida nova para pagar juros antigos", disse He Xuanlai, analista de crédito do Commerzbank em Cingapura. "Como a porta para o refinanciamento está praticamente fechada para quem tem um perfil de crédito fraco, haverá mais volatilidade e, no fim, mais calotes entre os títulos com prazos de um ano ou menos".

Os bancos chineses, os maiores investidores do mercado, têm uma demanda forte por notas de curto prazo para corresponder às poupanças dos clientes no balanço, disse He. A proporção de notas com vencimento de um ano ou menos sobre o total das vendas caiu um pouco em relação aos 51 por cento registrados em 2015 e 2014, de acordo com dados da Bloomberg. Um assessor de imprensa da Associação Nacional de Investidores Institucionais do Mercado Financeiro, que regulamenta os títulos de curto prazo na China, contatado pela Bloomberg por telefone, não comentou imediatamente se isso é um motivo de preocupação.

A forte dependência da dívida de curto prazo "é, sem dúvida, um risco de liquidez para os bancos e também um risco de financiamento para os devedores", disse Alicia García Herrero, economista-chefe da Natixis para a região Ásia-Pacífico.

Título em inglês: China Inc. Seeks Rehab for Short-Term Debt Addiction on Defaults

--Com a colaboração de Anurag Joshi Shaili Mehta e Molly Wei Para entrar em contato com o repórter: Judy Chen em Xangai, xchen45@bloomberg.net, Para entrar em contato com os editores responsáveis: Telma Marotto tmarotto1@bloomberg.net, Patricia Xavier

©2016 Bloomberg L.P.

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