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Bolsa de Osaka quer negociações de alta frequência mais abertas

Yuko Takeo e Toshiro Hasegawa

(Bloomberg) -- O CEO da Osaka Exchange somou sua voz ao coro crescente, no Japão, que pede uma maior transparência em torno das negociações de alta frequência (HFTs, na sigla em inglês).

É preciso saber mais a respeito das empresas de HFT e suas práticas, disse Hiromi Yamaji em entrevista. Um sistema de registros pode ser uma opção, disse ele, ou um sistema para notificar as autoridades a respeito das estratégias de alta frequência. Os comentários do executivo surgem em um momento em que a Agência de Serviços Financeiros do Japão está analisando as tradings supervelozes para avaliar, em particular, se elas contribuem para a volatilidade do mercado e se geram efeitos negativos sobre o valor de longo prazo das empresas com ações listadas em bolsa.

"É uma questão sobre se entendemos 100 por cento o que elas fazem. Há algumas partes que não conhecemos", disse Yamaji em entrevista em Tóquio. "Por isso precisamos de um sistema para nos ajudar a entender o assunto para aumentar a transparência no mercado de uma forma alinhada às regulações globais".

O Japão é um dos mercados mais amigáveis às negociações de alta velocidade. A Bolsa de Valores de Tóquio atualizou seus sistemas diversas vezes para permitir compras e vendas mais rápidas e a bolsa de Osaka planeja ampliar a velocidade de sua plataforma de negociação de derivativos neste mês. Mas o país, agora, está se igualando aos órgãos reguladores de todo o mundo ao questionar a prática e seu efeito nos mercados. O ministro das Finanças, Taro Aso, disse que a HFT requer uma atenção maior.

Pesquisa de mercado

A Comissão de Vigilância de Valores Mobiliários do Japão enviou uma pesquisa aos participantes do mercado no início do ano e perguntou sobre os serviços que as corretoras oferecem às empresas de HFT. As autoridades mencionaram a negociação algorítmica em seu relatório de administração anual pela primeira vez no ano passado.

Em 2015, cerca de 70 por cento dos pedidos e cerca de 40 por cento das transações monetárias realizadas passaram pelos serviços de 'co-location' (compartilhamento de localização) usados principalmente pelas HFTs, segundo a bolsa japonesa. Os derivativos têm uma proporção ligeiramente superior de negociações supervelozes, disse a bolsa.

A União Europeia tem procurado tornar os traders eletrônicos mais responsáveis por seus atos, enquanto a Comissão de Negociação de Futuros de Commodities dos EUA, que administra o maior mercado de futuros do mundo, está elaborando uma regra que orientaria os traders de alta frequência e suas atividades comerciais.

"Se você está perguntando se temos uma completa clareza em relação às práticas de negociação deles, a resposta é não", disse Yamaji, cuja bolsa é a 16ª maior do mundo entre aquelas que lidam com derivativos.

Embora tenha defendido uma maior transparência, Yamaji não se opõe à HFT, que tem um papel importante em seu negócio.

"Elas são um tipo de investidor totalmente necessário para o mercado", disse ele.

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