Brexit prejudicaria lucro de bancos americanos durante anos

Laura J. Keller

(Bloomberg) -- Quando os bancos dos EUA publicarem os resultados do segundo trimestre, em alguns dias, ocorrerá o seguinte: quase todos terão cortes nos bônus neste ano, diz Richard Lipstein, recrutador para Wall Street. "Se cobrirem os gastos já será uma conquista".

Este é o panorama que está se formando em um momento em que os analistas reduzem as estimativas para o trimestre e reformulam as projeções de longo prazo para os negócios principais dos bancos após a decisão do Reino Unido, em referendo, de deixar a União Europeia. A partir desta semana, JPMorgan, Citigroup e Goldman Sachs provavelmente dirão que viram uma rápida sacudida nas operações após o referendo de 23 de junho, mas que os negócios estão estagnados e que anos de sofrimento se aproximam.

A estimativa é que o lucro líquido combinado dos seis maiores bancos dos EUA tenha caído 18 por cento no segundo trimestre em relação ao mesmo período do ano passado, segundo analistas consultados pela Bloomberg. Fred Cannon, diretor de pesquisa global da Keefe, Bruyette & Woods, disse que muitos analistas estão apenas começando a reelaborar suas projeções para os períodos futuros para contabilizar as consequências do Brexit, como o prolongamento das taxas de juros baixas.

"Passamos das taxas mais baixas por mais tempo para o que parecem ser taxas mais baixas para sempre", disse ele.

Isso afetará o interesse proveniente do crédito. A turbulência no mercado e os freios econômicos ligados ao Brexit prejudicarão a receita dos bancos de investimentos porque as empresas estão reconsiderando aquisições e vendendo novos títulos. E tudo isto está ocorrendo depois de as unidades de trading sofrerem seu pior trimestre desde 2009.

Para o ano todo, os analistas preveem que o lucro combinado dos seis bancos dos EUA -- grupo que também inclui Bank of America, Wells Fargo e Morgan Stanley -- cairá 14 por cento. O número poderá se recuperar apenas parcialmente em 2017, mostra a estimativa. As projeções para os dois anos despencaram com as oscilações dos mercados no início deste ano e voltaram a cair após o referendo britânico porque os analistas começaram a atualizar suas pesquisas.

"Até 24 de junho todos pensavam que o segundo trimestre estava gerando uma boa recuperação e agora é preciso questionar essa tese", disse Chris Kotowski, analista bancário da Oppenheimer & Co., em referência ao dia da contagem dos votos. "Estou mais cauteloso do que antes".

Ele reduziu as estimativas do ano todo para os lucros dos seis bancos por ação a uma média de 8 pontos percentuais após o referendo britânico. As ofertas de ações deverão "desacelerar significativamente", as aquisições corporativas vão "parar" e a negociação de renda fixa esfriará novamente, disse ele. O aumento dos juros pelo Federal Reserve está descartado indefinidamente, o que frustra a aguardada melhora na receita com juros. No geral, isto provavelmente resultará em outra mordida nos bônus de fim de ano, disse Kotowski.

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