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Perigo ronda título emergente de vencimento longo após Brexit

Natasha Doff

(Bloomberg) -- A dívida com vencimento mais longo, do México à Rússia, tornou-se uma das transações mais populares depois do Brexit com as apostas de que uma divisão da União Europeia provocará a estagnação do crescimento mundial e impedirá que os bancos centrais aumentem os juros.

Mas ela também está deixando os investidores mais vulneráveis do que nunca.

Detentores de notas com vencimento mais longo de países do mercado emergente estão mais propensos a sofrer perdas se a alta for interrompida do que em qualquer outro momento desde pelo menos 2006, de acordo com um índice do Bank of America.

A dívida soberana de países em desenvolvimento com vencimento em mais de 10 anos recompensou os investidores com retornos de 6,3% desde que o Reino Unido decidiu sair da UE no referendo realizado em 23 de junho, quase o dobro da média de todos os vencimentos.

O risco agora é que depois de terem comprado uma grande quantidade dos títulos mais sensíveis às taxas como refúgio diante dos US$ 9,6 trilhões de dívida soberana dos mercados desenvolvidos com rendimentos negativos, os investidores tenham exposto a si mesmos a um pouso forçado se as apostas de que o Federal Reserve elevará o custo do crédito neste ano forem colocadas na mesa novamente.

As chances de uma ação do Fed em 2016 pularam de 12% na semana passada para 34% depois que dados mostraram que os empregos nos EUA tiveram o maior crescimento em oito meses.

"Estamos em um mundo de juros mais baixos por mais tempo, mas eu teria mais cuidado em comprar nos níveis atuais", disse Viktor Szabo, que ajuda a administrar cerca de US$ 10 bilhões em dívida de mercados emergentes na Aberdeen Asset Management em Londres. "Os títulos do Tesouro dos EUA podem dar um salto e não será bom estar do lado errado da curva".

Para alguns, a recompensa supera o risco. O BNP Paribas e a Aviva Investors estão apostando que os títulos de longa duração do mercado emergente continuarão se recuperando à medida que os investidores forem empurrados para ativos de maior risco para fugir dos retornos mais baixos já registrados no mundo desenvolvido. As probabilidades atuais indicam que o Fed só elevará os juros depois de setembro de 2017.

"Dado o ajuste para baixo nos núcleos da inflação, que acreditamos que provavelmente se manterá, os diferenciais dos mercados emergentes devem ficar mais comprimidos", disse Aaron Grehan, gestor de fundo em Londres que ajuda a administrar US$ 4,5 bilhões em dívida do mercado emergente na Aviva e acha que os títulos de longa duração do Peru e da República Dominicana estão atraentes. "Com certeza o ambiente favorece uma alocação para ativos de duração mais longa".

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